marianamar Escreveu:Temos??? Ou temos uma geração de jovens que querem ser úteis, mas não lhes dão nem conseguem criar oportunidades para isso????Acena Escreveu:A sociedade está como está por culpa de todos e não porque temos uma geração de jovens inúteis.
Não há que desvalorizar geração nenhuma. Temos todos culpa, temos todos a responsabilidade. Mas não há aqui gerações inúteis. Sinceramente Acena...
Ó... ó... ó forista, onde é que estava no 25 de Abril?
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marianamar
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Querias dizer que temos uma geração de inúteis ou que não temos?
Isto na internet, sem tom de voz, às vezes não chega lendo...
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Chamarrita
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Caramba, excelente texto
Ouvi pais, tios e alguns primos mais velhosque viveram estes dias no final da adolescência, que finalmente puderam usar calças de ganga à boca-de-sino, golas até aos cotovelos, contar estas mesmas coisas, apenas mudando os personagens e os cenários. Nas terras junto à fronteira, mitigava-se a fome aos rivais de sempre, contrabandeava-se café, arriscando a vida e a família a seu cargo em troca de um tiro da guarda fiscal ou dos "carabineros". Isto eram os meus avós. Os meus pais e grande parte dos meus tios tiveram a sorte de poder ir à escola e completar a escola primária, o célebre exame da quarta classe. Os bons alunos, se tivessem sorte, iam "para padres" - havia sempre um na família que era o "sacrificado" e por quem se sacrificavam. Saber ler e possuir conhecimentos era admirável, sobretudo nas aldeias longe da capital do país. A universidade era para os ricos. A revolução trouxe as passagens administrativas, o sistema de ensino iniciou a sua viagem sobressaltada, amassada e conduzida por um escaravelho tonto que não sabe se está a subir ou descer, e vai aumentando a bola de esterco...
Em 74 rebentou o paiol. Que ninguém me diga que as forças armadas não tiveram apoio incondicional dos países democráticos, e a firme ordem de que o poder não podia "cair na rua" - Portugal sempre foi geograficamente demasiado importante para ter as portas fechadas ao mundo, e havia a questão com a união soviética -, porque as portas tinham sido abertas ao capitalismo, não a foices e martelos.
Mas "a rua" estava embriagada de liberdade. Queria lá saber do comunismo e do capitalismo, o país queria os seus filhos de volta, fosse como fosse. Era preciso encher o país de gente, "traz outro amigo também" e todos haviam sofrido muitas perdas, pela guerra ou pela emigração. Era preciso pôr o país a render, em cada esquina um amigo e já não a PIDE, "não precisamos de dono", a multiplicação das cooperativas, e o mar à vista, de onde chegaram todas as maravilhas embaladas pelas canções de Abril.
quase 40 anos depois, a grande diferença é entre o ponto de partida e a chegada. As pessoas são cada vez mais manipuladas, conduzidas como um rebanho exausto rumo a um oásis, a uma qualquer terra prometida. Talvez seja um disturbio mental nacional que se agrava geração após geração, que, mais que sonhar, vive ainda o American Dream, como um disco riscado, o sulco cada vez mais profundo. Os avós de hoje são extra terrestres que contam coisas lá do "planeta deles". É como contar um filme em russo, o som até é tão parecido com o português mas não se entende uma. Os significados das coisas mudaram. Os jovens de hoje, que procuram o 1º emprego, que não encontram sequer "estágios" desempenhando tarefas da sua área profissional, nasceram na opulência dos anos 80, alguns até nasceram in-vitro. Os pais divorciaram-se, a família desagregou-se, a avó tem 50 anos e não se parece nada com uma velha - quase sempre de luto, se fossem as bisavós, a fazer o enxoval às netas, os naperons de renda, as colchas, aquelas coisinhas que hoje já se encontram nos museus na 3ª sala a seguir aos artefactos fenícios. Os pais destes jovens estão mesmo no fim da "trip", havia tanta liamba trazida da ex-colónias, colocaram bolas de espelhos nas garagens...
E a tal aurora, a tal madrugada de quem eram filhos, chegou. Estão mesmo, mesmo a acordar, e a ressaca é grande, regressados do mundo das maravilhas. Os netos da madrugada, esses, já nasceram sem conhecer a noite. Nada sabem de candeias e amanheceres, mas os seus pais não conhecem os ocasos. Quando começaram a caminhar já tinham tudo e ninguém foi obrigado a cumprir o serviço militar. Os seus pais vivem atordoados na lufa lufa de manter tudo aquilo a que se habituaram a ter, de ressaca e atordoados. Enfim, podia continuar indefinidamente, mas continuaremos os mesmos pacóvios ridicularizados por Garrett e Eça de Queirós, esperando que D. Sebastião, qual Poltergheist, saia do LCD ou do portátil ou do ecran de um qualquer Nokia, enquanto "alguém há-de faer alguma coisa".
Ouvi pais, tios e alguns primos mais velhosque viveram estes dias no final da adolescência, que finalmente puderam usar calças de ganga à boca-de-sino, golas até aos cotovelos, contar estas mesmas coisas, apenas mudando os personagens e os cenários. Nas terras junto à fronteira, mitigava-se a fome aos rivais de sempre, contrabandeava-se café, arriscando a vida e a família a seu cargo em troca de um tiro da guarda fiscal ou dos "carabineros". Isto eram os meus avós. Os meus pais e grande parte dos meus tios tiveram a sorte de poder ir à escola e completar a escola primária, o célebre exame da quarta classe. Os bons alunos, se tivessem sorte, iam "para padres" - havia sempre um na família que era o "sacrificado" e por quem se sacrificavam. Saber ler e possuir conhecimentos era admirável, sobretudo nas aldeias longe da capital do país. A universidade era para os ricos. A revolução trouxe as passagens administrativas, o sistema de ensino iniciou a sua viagem sobressaltada, amassada e conduzida por um escaravelho tonto que não sabe se está a subir ou descer, e vai aumentando a bola de esterco...
Em 74 rebentou o paiol. Que ninguém me diga que as forças armadas não tiveram apoio incondicional dos países democráticos, e a firme ordem de que o poder não podia "cair na rua" - Portugal sempre foi geograficamente demasiado importante para ter as portas fechadas ao mundo, e havia a questão com a união soviética -, porque as portas tinham sido abertas ao capitalismo, não a foices e martelos.
Mas "a rua" estava embriagada de liberdade. Queria lá saber do comunismo e do capitalismo, o país queria os seus filhos de volta, fosse como fosse. Era preciso encher o país de gente, "traz outro amigo também" e todos haviam sofrido muitas perdas, pela guerra ou pela emigração. Era preciso pôr o país a render, em cada esquina um amigo e já não a PIDE, "não precisamos de dono", a multiplicação das cooperativas, e o mar à vista, de onde chegaram todas as maravilhas embaladas pelas canções de Abril.
quase 40 anos depois, a grande diferença é entre o ponto de partida e a chegada. As pessoas são cada vez mais manipuladas, conduzidas como um rebanho exausto rumo a um oásis, a uma qualquer terra prometida. Talvez seja um disturbio mental nacional que se agrava geração após geração, que, mais que sonhar, vive ainda o American Dream, como um disco riscado, o sulco cada vez mais profundo. Os avós de hoje são extra terrestres que contam coisas lá do "planeta deles". É como contar um filme em russo, o som até é tão parecido com o português mas não se entende uma. Os significados das coisas mudaram. Os jovens de hoje, que procuram o 1º emprego, que não encontram sequer "estágios" desempenhando tarefas da sua área profissional, nasceram na opulência dos anos 80, alguns até nasceram in-vitro. Os pais divorciaram-se, a família desagregou-se, a avó tem 50 anos e não se parece nada com uma velha - quase sempre de luto, se fossem as bisavós, a fazer o enxoval às netas, os naperons de renda, as colchas, aquelas coisinhas que hoje já se encontram nos museus na 3ª sala a seguir aos artefactos fenícios. Os pais destes jovens estão mesmo no fim da "trip", havia tanta liamba trazida da ex-colónias, colocaram bolas de espelhos nas garagens...
E a tal aurora, a tal madrugada de quem eram filhos, chegou. Estão mesmo, mesmo a acordar, e a ressaca é grande, regressados do mundo das maravilhas. Os netos da madrugada, esses, já nasceram sem conhecer a noite. Nada sabem de candeias e amanheceres, mas os seus pais não conhecem os ocasos. Quando começaram a caminhar já tinham tudo e ninguém foi obrigado a cumprir o serviço militar. Os seus pais vivem atordoados na lufa lufa de manter tudo aquilo a que se habituaram a ter, de ressaca e atordoados. Enfim, podia continuar indefinidamente, mas continuaremos os mesmos pacóvios ridicularizados por Garrett e Eça de Queirós, esperando que D. Sebastião, qual Poltergheist, saia do LCD ou do portátil ou do ecran de um qualquer Nokia, enquanto "alguém há-de faer alguma coisa".
Acredito na Paciência, na Persistência, no Pai Natal e no Poder do Fiambre!
Hummm uma geração culpada de todos os problemas do planeta e mais alguns é o quê? Inútil, claromarianamar Escreveu:Querias dizer que temos uma geração de inúteis ou que não temos?
Isto na internet, sem tom de voz, às vezes não chega lendo...
Essa parte era ironia Marianamar.
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joana_boris
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Realmente, parece um concurso de qual a geração mais desgraçada, desvalorizam-se umas em funções de outras.
Da geração dos meus pais vejo muito de que dar graças por não ter que viver, mas também vejo coisas que hoje são difíceis de alcançar.
O meu pai tirou a licenciatura há poucos anos, eu já existia e lembro-me de o ver com os calhamaços atrás, no entanto, sempre teve emprego, mesmo só com o ensino secundário. A minha mãe tirou uma licenciatura que, sem lhe querer tirar o mérito, hoje em dia serveria de tanto como um curso sobre como bem estrelar ovos, no entanto, também conseguiu um emprego logo que saiu da faculdade. Tiveram dinheiro para gastar numa boa casa, carros, férias, filha, animais de estimação. Muitos jovens desta geração vivem com os pais até bastante tarde, pelo menos ainda os têm para os ajudar. Os meus pais passaram mal na infância mas viveram bem os seus 20-30 anos. Hoje penso que se passa um pouco o contrário.
Em relação à minha geração (não sei que idade tens marianamar, suponho que 20 e poucos) vejo muitos jovens que querem muito trabalhar para fazer a sua vida mas também vejo à minha volta, todos os dias, outros que se estão bem cagando para o que se passa à sua volta e que só estão interessados em passear o dia todo, fumar usn cigarritos, beber umas cervejas, porque é à conta do cota. Não quero estar a dar pontapés na minha geração, mas às vezes tenho vergonha porque vejo muitos colegas que não sabem o que representou o 25 de Abril e riem de quem se incomoda com esses assuntos, insultam os professores e são protegidos por tudo e todos, não se interessam minimamente pelos estudos e pouco fazem pela sua independência.
Conheço pessoalmente casos de pessoas que andam autenticamente a passear os livros na faculdade, há três anos no primeiro ano do curso, a gastar o dinheiro dos pais em propinas e em renda e tudo o mais e que depois aparecem, indignadíssimos, nas manifestações da geração á rasca.
Marianamar, não é com pessoas que se preocupam com a sua independênciae futuro mas sim com aqueles que vivem confortavelmente no colo dos pais e para quem o conceito de "estar à rasca" significa, no máximo, não ter um cigarro para fumar.
Da geração dos meus pais vejo muito de que dar graças por não ter que viver, mas também vejo coisas que hoje são difíceis de alcançar.
O meu pai tirou a licenciatura há poucos anos, eu já existia e lembro-me de o ver com os calhamaços atrás, no entanto, sempre teve emprego, mesmo só com o ensino secundário. A minha mãe tirou uma licenciatura que, sem lhe querer tirar o mérito, hoje em dia serveria de tanto como um curso sobre como bem estrelar ovos, no entanto, também conseguiu um emprego logo que saiu da faculdade. Tiveram dinheiro para gastar numa boa casa, carros, férias, filha, animais de estimação. Muitos jovens desta geração vivem com os pais até bastante tarde, pelo menos ainda os têm para os ajudar. Os meus pais passaram mal na infância mas viveram bem os seus 20-30 anos. Hoje penso que se passa um pouco o contrário.
Em relação à minha geração (não sei que idade tens marianamar, suponho que 20 e poucos) vejo muitos jovens que querem muito trabalhar para fazer a sua vida mas também vejo à minha volta, todos os dias, outros que se estão bem cagando para o que se passa à sua volta e que só estão interessados em passear o dia todo, fumar usn cigarritos, beber umas cervejas, porque é à conta do cota. Não quero estar a dar pontapés na minha geração, mas às vezes tenho vergonha porque vejo muitos colegas que não sabem o que representou o 25 de Abril e riem de quem se incomoda com esses assuntos, insultam os professores e são protegidos por tudo e todos, não se interessam minimamente pelos estudos e pouco fazem pela sua independência.
Conheço pessoalmente casos de pessoas que andam autenticamente a passear os livros na faculdade, há três anos no primeiro ano do curso, a gastar o dinheiro dos pais em propinas e em renda e tudo o mais e que depois aparecem, indignadíssimos, nas manifestações da geração á rasca.
Marianamar, não é com pessoas que se preocupam com a sua independênciae futuro mas sim com aqueles que vivem confortavelmente no colo dos pais e para quem o conceito de "estar à rasca" significa, no máximo, não ter um cigarro para fumar.
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marianamar
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Peço desculpa, às vezes é difícil captar a ironia via escrita!Acena Escreveu:Hummm uma geração culpada de todos os problemas do planeta e mais alguns é o quê? Inútil, claromarianamar Escreveu:Querias dizer que temos uma geração de inúteis ou que não temos?
Isto na internet, sem tom de voz, às vezes não chega lendo...![]()
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marianamar
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joana_boris, eu entendo o que queres dizer... vejo-o, em alguns dos meus amigos ou colegas de curso!
Mas a realidade não é assim para todos... e ouvir isso no dia em que o meu parceiro volta a casa completamente desiludido depois de uma ronda pelas fábricas locais, à procura de um trabalho qualquer, ele que se revelou um dos melhores designers do seu curso... e no dia seguinte a eu ter ido ao hospital com insónias e dores de cabeça terríveis para chegar à conclusão que era "só" cansaço, porque apesar de desempregada me mato a trabalhar como freelancer, por uma ninharia, mas porque tem de ser... custa ouvir isto.
Há muitos jovens, adultos e velhos na minha situação. E pior, há crianças a sofrer com esta crise. Generalizar é complicado, quando se olham para os dois bicos da questão.
Mas a realidade não é assim para todos... e ouvir isso no dia em que o meu parceiro volta a casa completamente desiludido depois de uma ronda pelas fábricas locais, à procura de um trabalho qualquer, ele que se revelou um dos melhores designers do seu curso... e no dia seguinte a eu ter ido ao hospital com insónias e dores de cabeça terríveis para chegar à conclusão que era "só" cansaço, porque apesar de desempregada me mato a trabalhar como freelancer, por uma ninharia, mas porque tem de ser... custa ouvir isto.
Há muitos jovens, adultos e velhos na minha situação. E pior, há crianças a sofrer com esta crise. Generalizar é complicado, quando se olham para os dois bicos da questão.
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marianamar
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Chama, "caramba, excelente texto!" digo eu!
Acabaste de resumir tudo de maneira perfeita, justa (ao contrário do texto que despoletou esta discussão) e até poética. No teu texto vejo os meus queridos avós, vejo os meus pais (ainda por aí perdidos na trip), vejo-me a mim.
E isto lembra-me a sensação que tinha ontem antes de dormir... não sei se alguém aqui já leu Animal Farm (O Triunfo dos Porcos). Ontem pensava em tudo isto e de repente senti-me na pele do Benjamim, o burro. Observando os porcos transformarem-se em homens, os cães transformarem-se em bufos, as ovelhas em "povo manso"... Foi uma sensação assustadora. Mas no fim suspirei de alívio. Antes ser o burro da história, que o porco ou a ovelha.
Acabaste de resumir tudo de maneira perfeita, justa (ao contrário do texto que despoletou esta discussão) e até poética. No teu texto vejo os meus queridos avós, vejo os meus pais (ainda por aí perdidos na trip), vejo-me a mim.
E isto lembra-me a sensação que tinha ontem antes de dormir... não sei se alguém aqui já leu Animal Farm (O Triunfo dos Porcos). Ontem pensava em tudo isto e de repente senti-me na pele do Benjamim, o burro. Observando os porcos transformarem-se em homens, os cães transformarem-se em bufos, as ovelhas em "povo manso"... Foi uma sensação assustadora. Mas no fim suspirei de alívio. Antes ser o burro da história, que o porco ou a ovelha.
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joana_boris
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Não queria fazer uma generalização, mas sim também falar da outra face da moeda. Infelizmente é aquela a que mais assisto, também são o pouco mais novos do que a marianamar, talvez ainda não se tenham sentido verdadeiramente à rasca. Talvez daqui a alguns anos, se ganharem algum juízo
Como disse, os meus pais tiveram a oportunidade com a qual poucos jovens da minha idade podem sonhar, hoje são poucos os cursos que dão possibilidade imediata de empregos e nem todos somos para o mesmo. Tenho muita pena também de ver colegas com imenso jeito para desenhar, que são brilhantes alunos e que caminham a passos largos para o desemprego. Custa-me ver muitas pessoas tirar cursos de que não gostam porque aquilo que querem não tem saída. E também me custa ver aqueles que procuram emprego, incansavelmente, e que levam sempre com a porta na cara.
Mas também me custa ver o que vejo todos os dias na escola.
Como disse, os meus pais tiveram a oportunidade com a qual poucos jovens da minha idade podem sonhar, hoje são poucos os cursos que dão possibilidade imediata de empregos e nem todos somos para o mesmo. Tenho muita pena também de ver colegas com imenso jeito para desenhar, que são brilhantes alunos e que caminham a passos largos para o desemprego. Custa-me ver muitas pessoas tirar cursos de que não gostam porque aquilo que querem não tem saída. E também me custa ver aqueles que procuram emprego, incansavelmente, e que levam sempre com a porta na cara.
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joana_boris
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Não queria fazer uma generalização, mas sim também falar da outra face da moeda. Infelizmente é aquela a que mais assisto, também são o pouco mais novos do que a marianamar, talvez ainda não se tenham sentido verdadeiramente à rasca. Talvez daqui a alguns anos, se ganharem algum juízo
Como disse, os meus pais tiveram a oportunidade com a qual poucos jovens da minha idade podem sonhar, hoje são poucos os cursos que dão possibilidade imediata de empregos e nem todos somos para o mesmo. Tenho muita pena também de ver colegas com imenso jeito para desenhar, que são brilhantes alunos e que caminham a passos largos para o desemprego. Custa-me ver muitas pessoas tirar cursos de que não gostam porque aquilo que querem não tem saída. E também me custa ver aqueles que procuram emprego, incansavelmente, e que levam sempre com a porta na cara.
Mas também me custa ver o que vejo todos os dias na escola.
Como disse, os meus pais tiveram a oportunidade com a qual poucos jovens da minha idade podem sonhar, hoje são poucos os cursos que dão possibilidade imediata de empregos e nem todos somos para o mesmo. Tenho muita pena também de ver colegas com imenso jeito para desenhar, que são brilhantes alunos e que caminham a passos largos para o desemprego. Custa-me ver muitas pessoas tirar cursos de que não gostam porque aquilo que querem não tem saída. E também me custa ver aqueles que procuram emprego, incansavelmente, e que levam sempre com a porta na cara.
Mas também me custa ver o que vejo todos os dias na escola.
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marianamar
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Sim eu entendi, o comentário do "generalizar" não era para ti mas... no geral xD
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Chamarrita
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- Localização: Chamarrita, Kyikoo & outros nobres felinos, cadelas e o ouriço Eugénio.
Ouço, observo muito; e li o Admirável Mundo Novo e o Regresso ao Admirável Mundo Novo, O Macaco e a Essência, as Portas da Percepção, de Aldous Huxley; li a Revolta Contra o Mundo Moderno, de Julius Evola. Praticamente deixei de ver tv, está desligada e embalada em cima da mesa da sala. Raramente ouço notícias ou leio jornais. Obtenho a informação, normalmente, aqui mesmo no fórum, quando leio tópicos sobre os assuntos mais falados por aí. A informação chega-me, mesmo sem a procurar, e já vem devidamente filtrada, interpretada e deturpada.
E sou docente na escola pública, de adolescentes de uma periferia muito próxima da cidade, poucos ficam aaté ao 12º ano e a escola não lhes dá as ferramentas suficientes nem adequadas. Ouço os miudos e os pais deles, vejo o seu reflexo na sala de aula, nos intervalos, fora da escola. E também acreditei, talvez até com mais alegria, nos valores de Abril, cantei as suas canções com aquela força que todos os adolescentes têm de acreditar que tudo é possível e o futuro seria aquilo que eu quisesse. E vivi muitos momentos através das memórias dos outros. Via as coisas de uma outra forma, mais ingénua e imatura. Tive uma vida mais fácil que a geração antes de mim, mais difícil do que a que veio a seguir, e fui aprendendo que normalmente o fácil não é o certo, compreendendo o significado da palavra "sacrifício", de que os meus pais tanto falavam...
Quando li pela primeira vez Aldous Huxley, já tinha visto o Matrix e já tinha mais de 30 anos. Sempre me tinha interessado muito mais pelas artes do que pela política e ciências sociais, e fiquei bastante chocada à medida que ia lendo e entendendo que aquilo não era ficção nem "profecia", e tudo se confirmou nos livros seguintes. Os receios e "teorias" de Huxley não só já tinham acontecido, como continuavam a acontecer, e continuam. É Admirável, mas já não é Novo.
E na história tudo se repete, em ciclos, cada vez mais próximos, velozes e agitados, como os circulos que se formam à volta de uma pedra atirada à água.
Orwell foi aluno de Huxley.
Quando li pela primeira vez Aldous Huxley, já tinha visto o Matrix e já tinha mais de 30 anos. Sempre me tinha interessado muito mais pelas artes do que pela política e ciências sociais, e fiquei bastante chocada à medida que ia lendo e entendendo que aquilo não era ficção nem "profecia", e tudo se confirmou nos livros seguintes. Os receios e "teorias" de Huxley não só já tinham acontecido, como continuavam a acontecer, e continuam. É Admirável, mas já não é Novo.
Orwell foi aluno de Huxley.
Acredito na Paciência, na Persistência, no Pai Natal e no Poder do Fiambre!
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Chamarrita
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antes acreditar que somos os burros, marianamar.marianamar Escreveu: Antes ser o burro da história, que o porco ou a ovelha.
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marianamar
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Chamarrita Escreveu:antes acreditar que somos os burros, marianamar.marianamar Escreveu: Antes ser o burro da história, que o porco ou a ovelha.
Neste caso, penso mesmo que sim!... Pelo menos acreditar nisso!
Não conheço Huxley, mas estou a ver que é algo para mudar brevemente
Já agora, a propósito de gerações, de precariedade... de trabalho ou da falta dele.
http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos---s ... -5795.html