Correio da Manhã
2002-09-08 21:10:00
Pisteiro da GNR segue pista apesar do mau tempo
CÃO SALVA IDOSO DA MORTE
O cão rastrejador ‘Pardo’, um sabujo espanhol da Companhia Cinotécnica da Guarda Nacional Republicana, salvou da morte certa um idoso de 72 anos, que na tarde de sábado caíra num buraco, no meio do mato, junto à Terrugem, Sintra.
Pardo, um cão meigo e dócil
Na queda, o idoso bateu com a cabeça numa pedra e perdeu a consciência, não conseguindo, depois, sair de onde caíra, a dois quilómetros de casa, no Alcolombal, nos arredores da aldeia de Terrugem.
“O meu pai saiu de casa, pelas 15h45, como de costume para dar um passeio”, contou um dos filhos de Francisco Pedroso. Depois, segundo o idoso contou posteriormente aos filhos, ter-se-á perdido e acabou por cair no buraco, perdendo a consciência com a pancada que sofreu. Ao recuperar os sentidos gritou, mas ninguém o ouviu.
Além de sofrer um hematoma na fronte, o idoso passou a noite ao relento e, ontem de manhã, sofreu a forte chuvada que se abateu na região. Quando foi encontrado já se encontrava em hipotermia.
Pelas 21h00 de sábado, os familiares de Francisco Pedroso, depois de inferutiferamente terem percorrido os montes a chamá-lo, alertaram a GNR de Sintra.
Uma vez que já caira a noite, as buscas não foram iniciadas e, domingo, entre a burocracia e dificuldades de meios, nomeadamente devido a uma prova de ciclismo, só às 11h00 é que se iniciou a busca do desaparecido, com a intervenção de duas equipas cinotécnicas da Ajuda.
“Os guardas com os cães chegaram aqui pelas 11h00 e pediram uma peça de roupa do meu pai e a partir daí o cão foi no rasto dele “, contou ainda Rogério Pedroso.
A precisão da busca do animal permitiu saber que Francisco Pedroso, antes de cair no buraco, tinha ido até junto de uma tipografia, onde é comum ir, e voltara para trás.
“Voltaram a dar a roupa a cheirar e, a partir daí, já não parou” frisou Rogério Pedroso. As patrulhas de buscas, além do sabujo espanhol, contaram com outro cão, um pastor-alemão.
“O cão foi uma coisa espectacular. Quando já estava perto do local, mas tinha ainda um ribeiro de permeio, só queria saltar e ir de encontro do meu pai”, continuou Rogério Pedroso. Cerca das 12h40, o ‘Pardo’ encontrava o idoso, com grandes manifestações de alegria, dado ser um cão meigo e dócil, extremamente sociável.
Francisco Pedroso, depois de ser observado no Hospital Amadora-Sintra regressou a casa.
Para os militares da Companhia Cinotécnica, as principais dificuldades neste tipo de buscas prendem-se com o tempo passado entre o desaparecimento e o início das buscas.
“As pessoas em vez de pedirem auxílio metem-se logo à procura e, muitas vezes, destroem pistas e sinais. Se o material está fresco, digamos virgem, é mais fácil para os cães”, assinalou o primeiro-sargento Alves. Ontem, felizmente, a realidade foi diferente e apesar de mais de 19 horas depois de ter desaparecido, bastou cerca de quarenta minutos para o ‘Pardo’ dar com o paradeiro do idoso, antes que fosse tarde demais.
“O dia foi propício para o cão ir rastear: não estava calor e a humidade era moderada, sem vento”, esclareceu por sua vez o tratador do ‘Pardo’, o soldado Varandas. “São estas coisas que nos levam a gostar disto”, acrescentou, afagando carinhosamente a cabeça do animal.
Falcão-Machado