Raças perigosas?

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Moderador: mcerqueira

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nel
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quinta set 21, 2006 8:11 am

Eu às vezes digo que já sei tudo sobre cães e em parte é verdade. Julgo que sei o suficiente para lidar com os meus cães, isto comparando-me com a maioria dos donos com quem me vou cruzando, que são uns autênticos analfabetos na matéria.
Para ser mais preciso, eu percebo alguma coisa de boby’s mas de cães não percebo nada (esta é mais uma indirecta para o meu amigo gary cujas intervenções aqui no fórum muito prezo ;) ).

Mas eu traduzo a ironia.
Devo dizer que os meus cães praticamente não precisam de manuais de instruções :lol:
De facto, se por azar eu tivesse tido cães em vez de boby’s (tadinhos dos meus lingrinhas, muito os desvalorizo) por ex. um boxer, um doberman, um pastor alemão, desses assim maiorzitos com os quais já é preciso tirar a carta de pesados :lol:, o mais certo era eu ainda andar por aqui aflito a aprender aquelas coisas todas sobre treino. Mas os meus são como aqueles carritos com motor de bicicleta em que não é preciso carta. Já nascem assim, como dizer, prontos a usar.

Bom, brincadeira à parte, eu de facto tento tratá-los realmente como cães, independentemente de serem mais ou menos dóceis, pois mais vale prevenir do que remediar e disciplina e educação nunca fizeram mal a ninguém, já dizia o meu avô.
Mas reconheço perfeitamente que certas raças de cães merecem um muito mais aturado cuidado em matéria de treino.
Quando me refiro aqui a certas raças não estou a cingir-me àquelas consideradas “potencialmente perigosas”. Estou a considerar CÃES EM GERAL, sejam de raça ou sem raça definida, tanto de grande como de pequeno porte.
Isto parece lógico, mas às vezes a lógica é mesmo uma batata. Se não vejamos.

O que me faz propor este tema é uma história que vou tentar contar muito resumidamente, que se passou com uns amigos meus a quem ofereceram um cão há já uns bons anos atrás.
O cão, por acaso, não tem raça definida mas podia ser de raça. É de pequeno porte, direi mesmo de pequeníssimo porte e, quando foi lá para casa, era um cachorrinho adorável muito fofinho e muito lindo.
Os meus amigos não tinham qualquer experiência anterior de lidar com cães. O bicho foi crescendo (muito pouco porque ele é mesmo um meia-leca), mas em pouco tempo tomou conta da casa e passou a mandar em toda a gente.
Já mordeu a dona, a vizinha e morde noutras pessoas se por acaso aproximarem a mão para lhe fazerem uma festa.
Essas mordidelas não foram graves nem fatais, mas não se dispensou a ida ao hospital.

Moral da história: “para quê treinar uma amostra de cão? Tão pequenino e tão lindo...”
Infelizmente, é esta a postura de praticamente todos os donos de cães de pequeno porte, sejam ou não de raça.
Por exclusiva leviandade e ignorância dos donos, as consequências de um cão ao qual não foi dado o devido cuidado e respeito como animal e humanizado até às últimas consequências (como terá sido aqui o caso) são diversas.
Estes cães vão crescendo e vão criando problemas, mas os donos nunca assumem a sua culpa e atribuem-na sempre à “má índole” do cão quando, efectivamente, são eles (donos) os únicos responsáveis pelo comportamento do animal.

As consequências destas situações tão comuns são diversas:
A forma mais fácil, mas tardia, de o dono querer corrigi-lo é, injustamente, dar-lhe porrada à bruta. Outra é acentuar e perpetuar o erro: “deixa-o, se não ele zanga-se”. Outra é abatê-lo, que já não há pachorra para aturar o raio do animal. Outra ainda é abandoná-lo...
Ou então, gramam-no. Os donos sofrem e o cão também.

Esses meus amigos, entretanto, foram-se afeiçoando ao cão logo de início. Ele lá terá evidentemente as suas virtudes... :roll: E, nesta área dos afectos, é sempre tudo muito subjectivo. Não usaram qualquer desses “remédios”. O cão lá continua em casa e cada vez é mais chato.
Eu deixei de os visitar porque não tenho paciência para aturar o meia-leca e prefiro que eles me visitem a mim. E digo-lhes sempre: prefiro os meus, que nem são cães nem são nada, mas gosto deles assim ;)

A minha alusão inicial à terminologia usada pelo gary não foi inocente: não tratem os vossos cães como boby’s, tratem-nos sempre como cães.
(Desculpem a extensão do texto)

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AcTiOnGiRl
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quinta set 21, 2006 8:25 am

por ex. um boxer, um doberman, um pastor alemão, desses assim maiorzitos com os quais já é preciso tirar a carta de pesados
:lol: :D :) E eu que só tenho de ligeiros :lol:

É verdade, eu não tenho nenhum meia leca, os meus cães são todos granditos e medios, felizmente e apesar de terem sido na sua maioria recolhidos das ruas, nunca tiveram problemas comportamentais graves.
Todos eles estão minimamente ensinados, para que possa tranquilamente receber visitar sem que estes sejam incomodados pelos cães e vice versa.
Um dos meus cães, é mais arredio... e tenta-se sempre manter á margem, isto é, não gosta de confusões, de muita gente, de muito barulho, então mete-se na casota dele e não sai de lá, até ter a casa em sossego tal como ele gosta ;) Quem me dera puder fazer o mesmo 8)

O que me faz propor este tema é uma história que vou tentar contar muito resumidamente, que se passou com uns amigos meus a quem ofereceram um cão há já uns bons anos atrás.
Tenho uma amiga que também tem uma cadela meia leca, que lhe gere a vida e a casa, gere quem se senta no sofá, quem a leva à rua, quem lhe dá de comer e infelizmente a dona, acha muita piada aquilo, e ainda é capaz de nos tratar mal se por acaso não concordarmos em comer com a cadela à mesa, como para ela é um hábito :?
Os Boxers são frequentemente descritos como os filósofos entre os cães, talvez porque às vezes parecem sonhadores e distraídos.
yahpin
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quinta set 21, 2006 8:33 am

Bom Dia

Eu também não tenho muita experiência na educação de cães e por saber dessa minha falha tento lêr e informar-me e também ando numa escola com o Alfredo, nem tanto por ele, porque aquele nem nos melhores dias virá a ser um "rex" :p mas mais por mim, para aprender a lidar/educar o cão.

Em suma, concordo exactamente com tudo o que o Nel escreveu, e secalhar é mesmo por isso que o que se vê são cães de porte pequeno a morderem tudo e todos :o

Outra hipotese que eu coloco é as pessoas esteriotiparem determinadas raças como por exemplo " todos os labradores são cães obedientes e exemplos de obediência" e depois aparecem aqueles casos "estranhos" em que um labrador mordeu não sei quem :?

Estatisticamente (li algures) o cão que até mais morde é o cocker spaniel...penso que isto não lembra a ninguém...mesmo sabendo que as estatisticas valem o que valem... :|
nel
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quinta set 21, 2006 8:36 am

Olá
Para não tornar o texto de apresentação do tópico muito extenso, não referi muitos outros aspectos relacionados com o tema.
Um deles está implícito e é exactamente o facto de os donos de exemplares de médio ou de grande porte se sentirem naturalmente mais preocupados com o comportamento do cão.
De facto, julgo que haverá muitos mais casos de agressões de cães "meia-leca" do que de maior porte.
Daí eu colocar a questão: quais são afinal as raças perigosas?

Isto depois tem a ver com as medidas legislativas sobre as raças potencialmente perigosas.
Bom, mas fico-me por aqui.
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AcTiOnGiRl
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quinta set 21, 2006 8:37 am

Outra hipotese que eu coloco é as pessoas esteriotiparem determinadas raças como por exemplo " todos os labradores são cães obedientes e exemplos de obediência" e depois aparecem aqueles casos "estranhos" em que um labrador mordeu não sei quem

Concordo plenamente, a maioria das pessoas quando vê um Boxer mais parece que está perante um monstro que as vai devorar de uma só dentada :roll:
Os Boxers são frequentemente descritos como os filósofos entre os cães, talvez porque às vezes parecem sonhadores e distraídos.
ailsa
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quinta set 21, 2006 9:24 am

Tenho uns vizinhos que têm um poodle e para onde eles vão o cão vai com eles. Lá vai o cão no carro, no colo da dona todo contente (tem um chapéu daqueles dos cães e tudo :)).
Vão ao pão, lá vai o cão, vão aqui lá vai o cão....... mas certo dia foram a um casamento e o cão não foi. Quando chegaram mal o dono abriu a porta foi literalmente atacado pelo cão, com direito a ida ao hospital e a pontos numa perna e num braço.

Segundo o dono foi ciúmes por não ter ido, e acharam aquilo super normal.

Pessoalmente nunca tive problemas deste género com os meus cães ;)
PedroRocha
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quinta set 21, 2006 9:26 am

Imagina quando vêm um Dobermann :roll:

É impressionante, a raça dobermann deve ser uma das raças em que as pessoas tem + preconceito.

A cada pessoa que eu digo que tenho um dobermann, reviram logo os olhos e dizem... dobermann .....iuc... isso é perigoso...
leonornobre
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quinta set 21, 2006 10:20 am

Não vamos lá agora pôr todos os caes de pequeno porte no mesmo saco ! :roll:

Como disse o Nel, tudo depende da educação que se dá ao cão. Cada raça tem o seu feitio, mas o tamanho também não justifica tudo.

Eu tenho um Pinscher, é um "eléctrico", mas sabe muito bem por-se no seu lugar. Passeia-se pelo apartamento, salta para os sofás e para a nossa cama, mas quando tenho visitas ele sabe bem que o seu lugar é na sua caminha e que não deve "atazanar" as visitas. Junto de nós, é claro, porque não nos larga nem por nada.

Apesar de esta raça ter um comportamento desconfiado e ladrar por tudo e por nada, o meu não é assim. educamo-lo de forma a não receber as visitas com uma linda recepção de au, au, au, o que eu acho abominável.

Às vezes perguntam-se se o meu pinscher é normal, eu respondo que sim, que me empenhei a fundo na sua educação quando era pequenino para podermos viver em harmonia uns ( Deus queira que sejam longos )anos de vida em conjunto. ;)
<p>"A n&atilde;o viol&ecirc;nca leva-nos aos mais altos conceitos de &eacute;tica, o objectivo de toda a evolu&ccedil;&atilde;o. At&eacute; pararmos de prejudicar todos os outros seres do Planeta, n&oacute;s continuaremos selvagens." THOMAS EDISON</p>
JoanaElectra
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quinta set 21, 2006 2:44 pm

"É impressionante, a raça dobermann deve ser uma das raças em que as pessoas tem + preconceito."

Sem dúvida!!!...
J.A.

"There are other fine dogs, then there are Dobermanns - the dog of dogs" Frank Grover
susanastrat
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sexta set 22, 2006 12:09 pm

Eu tenho duas raças estigmatizada...a cadela dos meus pais, um poodle. E o meu rottweiler...nenhum deles se enquadra no mito que as pessoas fazem deles. ;)
A lei não me parece que modificou em nada para melhor, apenas tornou os "donos" de algumas raças contempladas mais receosos em contra-partida os "donos" das outras raças "inofensivas" estão mais displicentes com os seus cães.

O que motiva as pessoas a procurarem uma escola de treino penso que seja a consciência de que podem melhorar vários aspectos, além disso também está no empenho que existe de cada um.


A razão da minha preocupação e interesse no desenvolvimento do comportamento do meu cão, deve-se ao facto de ele fazer parte de muitas rotinas diárias onde tem de estar perto de pessoas desconhecidas e outros animais que sujam eventualmente. Ao ter um cão nestas condições tenho que assegurar que não joga as patas a ninguém para comprimentar, não seja agressivo para pessoas ou animais, e em situações de mais confusão de pessoas tem de ficar calmo e sereno...apenas assim ele pode estar apto a ser um animal de companhia no significado mais amplo que eu considero ideal, adaptado à família e à sociedade. É uma liberdade significativa, onde imensos locais estariam "proíbidos" deixam de estar porque de facto ele está apto a frequentar.
No caso, de o ter praticamente condicionado ao espaço de casa talvez não ia sentir esta necessidade de forma tão evidente.
No relacionamento com um animal, nada melhor que os momentos em que tentamos perceber um pouco mais deles e fazê-lo perceber o que pretendemos. :p

nel por exemplo essa situação do lixo...eu digo: "Juca larga!"...- o juca larga. :p Se passa um gato no meu pátio ou na rua...eu digo: "juca fuss"... - o juca vêm para junto de mim. Se digo "fica" ele efectivamente fica no mesmo sítio...se está muito teimoso, em especial no território dele avança devagar até parar... :roll: Mas é de facto o tempo que preciso para ter a situação controlada.

A cadelinha acho que ao chegar depois do juca beneficiou do que foi aprendido para ensinar o juca, ela é um animal excepcional.

A causas do flagelo do abandono, deve-se em grande parte ao comportamento desagradável dos animais, cujos donos não procuraram melhorar e não cometer erros que são as razões de comportamentos destruidores, barulhentos e etc...acho extremamente importante as pessoas estarem sensibilizadas para o treino básico de obediência, hoje cada vez mais seja qual for a raça, o papel primordial que representam é o de companhia.
<p>susana</p>
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