Boa tarde.
Acabei de receber resposta ao meu email dirigido ao Sr. Miguel Moutinho da Associação A ANIMAL e que passo a citar na íntegra, conforme pedido:
Miguel Moutinho Escreveu:
Exm.ª Senhora D. Leonilde Carvalho,
Em primeiro lugar, muito obrigado por ter contactado a ANIMAL. Em
segundolugar, permita-me informá-la de que a maneira generalizadamente miserável e cruel como os animais são recolhidos aos canis/gatis municipais e de como são mantidos e tratados (e mortos) nestes constitui uma forte preocupação da ANIMAL, e é algo que desde há bastante tempo estamos a acompanhar de perto, com vista a desenvolver um trabalho mais profundo nesta área.
Quanto ao caso em apreço, devemos dizer que não sabemos o que terá
levado a que este cão tenha sido apreendido. Contudo, depois de termos
recebido a sua mensagem, entrámos em contacto telefónico com os serviços do Canil Municipalde Sintra, tendo a médica-veterinária do canil informado a ANIMAL do seguinte:
1. Este canídeo, como outros, está colocado no Canil Municipal de Sintra e apreendido por uma autoridade policial num processo por uma qualquer infracção em que este animal terá sido envolvido. Nestes casos, os canis municipais (ou, alternativamente, abrigos de associações de protecçãodos animais) são apenas os espaços onde os animais são
mantidos ? não podendo ser retirados destes enquanto os processos em que estão envolvidosnão tiverem uma qualquer conclusão que o permita. Logo, este animal não pode ainda ser adoptado. O Canil Municipal de Sintra, é sabido, está longe de reunir as condições mínimas para manter animais de forma minimamente adequada, mas, segundo nos foi dito, são os próprios serviços do Canil Municipal ? que estão num processo de profunda mudança e que, fomos informados, é um processo interessadamente acompanhado pelo vereador do pelouro, preocupado com os animais ? que reconhecem esses problemas que estarão a tentar corrigir. Entretanto, foi-nos dito que a taxa de abandonosdiários é elevadíssima, o que leva a que uma tão grande concentração de animais num tão pequeno e inadequado espaço apresente ainda maiores problemas para a saúde e o bem-estar dos animais.
2. Os serviços do Canil Municipal de Sintra informaram, porém, a ANIMAL de que, estranhamente, enquanto há uma lista enorme de pessoas que
querem adoptar este animal (que, aparentemente, foi motivo de uma
notícia de um jornal), que não pode ser adoptado para já, há também um
rottweiler (só que sem cauda amputada e com as orelhas muito descaídas ? ou seja, sem corresponder eventualmente ao estalão da raça) que ninguém quer adoptar. Do mesmo modo, dizem os mesmos serviços que se encontram muitos outros animais, não apreendidos, que podem ser facilmente adoptados (desde que com os necessários parâmetros cumpridos), mas que, mais uma vez, ninguém parece querer adoptar ? ou, pelo menos, nenhuma das dezenas de pessoas que, pelo
contrário, estão muito interessadas em adoptar o rottweiler apreendido. Os mesmos serviços municipais acrescentam que a adopção desses outros animaispermitiria não só garantir-lhes um destino eventualmente
feliz e seguro (que, no Canil, dificilmente terão) mas também tornar o espaço disponívelmenos sobre-lotado e permitir que, com menos animais por cuidar, os animais não adoptados possam ser melhor cuidados. Assim, a ANIMAL apelaria a quem quererá adoptar o rottweiler em causa que opte, em vez disso, por adoptartalvez o outro rottweiler ou qualquer outro animal que está no Canil Municipal de Sintra e que tem tanto direito a ser salvo e responsavelmenteadoptado como esse rottweiler. A ANIMAL espera também que este animal possa estar igualmente disponível para adopção logo que possível, e que seja responsavelmente adoptado. Os serviços do Canil Municipal informaram a ANIMAL de que já não tardará muito até que possa ser adoptado.
3. A ANIMAL está, desde Outubro passado, em contacto com todos os
grupos parlamentares na Assembleia da República, aos quais tem
transmitido a necessidade urgente de haver uma total e completa revisão da legislaçãoaplicável à protecção dos animais ? entre os quais os de
companhia. A ANIMAL tem apresentado as suas sugestões e tem mantido este contacto, mas temos que salientar que a ANIMAL não tem poder legislativo algum nem o poder de levar um deputado, menos ainda um grupo parlamentar, a tomar uma decisão nesta área.
De resto, e tendo lido o seu comentário no fórum do link que referiu, não
posso deixar de lhe dizer que, de facto, a ANIMAL desenvolve várias
investigações, organiza muitas campanhas, produz e distribui muitos
panfletos e vídeos, participa em acções de educação, organiza e participa em conferências, promove manifestações, interpõe acções judiciais,
contacta com autoridades acerca de actos ilícitos que ofendem animais, procura envolveros órgãos de comunicação social na denúncia pública de
diversos males que afectam os animais, lança o debate público e as bases para a mudança de comportamentos da sociedade portuguesa em relação a diversos assuntos respeitantes aos direitos dos animais, entre outros trabalhos que desenvolve. Não o fez ainda acerca dos canis municipais porque não teve ainda oportunidade de o fazer, mas é algo que, certamente, não deixará de vir a fazer. Não pude deixar de entender um tom crítico no seu comentário acerca das manifestações da ANIMAL (sendo que, quanto ao que a LPDA faz ou não faz, não nos cabe falar), a propósito do qual permito-me perguntar-lhe se faz uma ideia dos milhões de animais que, nos seus quase 12 anos de existência, a ANIMAL já salvou, através de todas as suas iniciativas.
Permito-me também perguntar-lhe se estará ciente de como a visão da
sociedade portuguesa sobre a protecção dos animais tem mudado ao
longo dos anos e se recordará que isso deve, em muito grande medida, aos esforços de educação do público, alerta e protesto que a ANIMAL, em quase 12 anos, desenvolveu. É óbvio que não chega, é óbvio que está quase tudo por fazer, mas não é menos verdade que, ao mesmo tempo que as pessoas facilmente tendem a diabolizar a ANIMAL por não ser capaz de resolver todos os problemas que afectam os animais e com que as pessoas se defrontam, por norma, essas mesmas pessoas nunca fizeram um donativo à ANIMAL ou prestaram qualqueroutro tipo de apoio para que esta fosse mais capaz, tivesse mais meios e estivesse mais preparada para conseguir ajudar mais animais. Na verdade,passamos pela frustração diária de encontrar consecutivas situações em que
muitos, mas mesmo muitos, animais precisam de ajuda, cuidados médicos e abrigo, sem que haja respostas estruturais para estes casos (como clínicasveterinárias sem fins lucrativos e de baixo custo ou abrigos de qualidade para animais), enquanto muitas pessoas e mesmo associações, embora bem intencionadas, acabam por recorrer aos serviços de clínicas veterináriasprivadas e hotéis para cães e gatos privados, com fins lucrativos, onde gastam, para ajudar uma quantidade muito pequena de animais, valores que, aplicados na criação de estruturas sem fins lucrativos de apoio a animais,permitiriam ajudar muitíssimos mais animais. A ANIMAL pretende, em breve avançar com uma iniciativa para começar a criar uma rede de estruturas sem fins lucrativos e com serviços de baixo custo (ou gratuitos, em certos casos) de apoio a animais ? e esperamos que, nessa altura, as mesmas pessoas
que sentem a frustração que sentimos diariamente apoiem monetariamente essa iniciativa, pois, de outro modo, não será possível fazer com que tenha sucesso e os animais de Portugal continuarão na miséria institucionalizadaque se tornou banal e que não podemos aceitar de modo algum.
Agradeço-lhe, por último, que, do mesmo modo que divulgou neste fórum a mensagem que enviou à ANIMAL, por favor divulgue também esta nossa resposta,na íntegra.
Com os nossos melhores cumprimentos,
Miguel Moutinho
Director Executivo
Presidente da Direcção
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Já respondi, contudo não coloco a minha resposta a este email pois contém informação de carisma pessoal!