Condessa Escreveu:duartefx Escreveu:AdaElisa, você está a dizer-nos que vive no Brasil e que o seu veterinário indicou-lhe apenas medicamentos proíbidos no seu país?
Isso é muito esquisito. Até 2003, quando saí do Brasil e vim para Portugal, a indicação do Ministério da Saúde é que não se tratassem cães com leishmaniose, ou seja, os cães deveriam ser todos abatidos.
Tenham em atenção que há regiões no Brasil onde a leishmaniose (que não é cutânea, é visceral, e contagia pessoas, que morrem) é endémica, e é um grave problema de saúde pública. A região onde eu vivia, Belo Horizonte, MG, era endémica. A Prefeitura vinha às nossas casas examinar os nossos cães. Se os testes acusassem a doença, voltavam depois para levá-los para abate.
Actualmente não sei exactamente como anda a situação. Sei que há a vacina, eficaz, mas muito cara, para a leishmaniose. Uma amiga minha que vivia em BH vacinou a caniche dela há uns anos atrás.
Muitos veterinários começaram a tratar os cães, pois é notório que somente o abate dos milhares de animais, sem combate eficaz ao mosquito, não resolve o problema, pois o agente da leismaniose pode contaminar outros animais, nomeadamente roedores, raposas, etc.
Do que eu me lembre (e eu estudei profundamente sobre este assunto), tratavam-se os animais com medicação usada em humanos.
Quando vi este post achei muito estranho que um vet brasileiro tenha indicado medicamentos que não existem no Brasil. É muito estranho, e eu não me arrisco aqui a dar muitas opiniões, pelos factos que citei acima.
No Brasil já existe vacina. É cara, mas existe. E há formas de prevenir, com coleiras que repelem insectos, sprays de citronela, que era o que eu usava nas minhas cadelas (que estão aqui comigo, vivinhas da silva, e nunca apanharam leishmaniose, embora eu vivesse numa região endémica). Naquele tempo não havia vacina, e quem tratasse, estava, de certo modo, a infringir a lei. Mas estava a ficar cada vez mais difícil ter de abater animais novos, saudáveis, animais de exposição, que contraíam a doença. E os vets avançaram com tratamentos. Mas sempre usando os medicamentos que aqui também se usam (e cujos nomes já não me lembro).
Gostava que a autora do tópico pudesse nos dar mais informações.
Olá. Sou novo neste fórum e li esta discussão.
Gostaria de colocar alguns pontos que acho que pode ajudar a esclarecer algumas coisas, pela experiência que venho tendo. Ficará grande o texto, mas acho que vai sanar estas dúvidas daqui.
O Governo aqui no Brasil recomenda sim a eutanásia dos cães com leishmaniose, porém não pode obrigar a isso.
Condessa, moro em Belo Horizonte também e estas visitas da prefeitura são feitas até hoje, porém, no meu ver, sem muito sucesso, pois, concordando 100% com você, a eutanásia dos animais não é solução. Tanto que os índices de cães infectados aqui só aumentam.
A questão do medicamento Milteforan, onde foi dito que veterinários daqui indicam um medicamento que não é vendido por aqui se deve basicamente a proibição da comercialização deste medicamento no Brasil, pelo menos até onde sei (não tenho a certeza se realmente é proibido). Existem outros que podemos utilizar aqui, porém estes outros medicamentos afetam muitos os rins do cão. Como no meu caso, estou a tratar dos rins de meu Labrador, o Milteforan parece ser o único que é não danifica os rins. Por isso os vets receitam este medicamento, mesmo não podendo ser comprado no Brasil. As leis estão mudando, mas ainda a eutanásia é recomendada e por isso sugerem que não tratemos os cães, proibindo então o uso de bons medicamentos como este.
Com relação a prevenções, fiz de tudo!!!
Ganhei um lindo Labrador de presente de minha mãe. Ele foi acompanhado por um veterinário desde o início. Tomou todas as vacinas e, quando atingiu a idade, o vacinei contra Leishmaniose e coloquei a coleira repelente, a mais famosa por aqui.
Espalhei pela casa, sempre limpa, mudas de citronela.
A partir de uma determinada data, ele sempre apresentava algum problema de pele. Comecei a ver isso quando aos 7 meses quando ele começou o adestramento, suas patas (na almofadinha) tinham feridas muito difíceis de fechar. Tratei de todas as formas. Ele tomou antibióticos por um bom tempo, pois os exames mostravam infecção por bactérias.
Fiz exames sorológicos, punção de medula óssea e biopsia de pele. Todos negativos para Leishmaniose. Não acreditava que ele tinha Leishmaniose, conforme algumas suspeitas.
Até que procuramos (eu e minha amiga veterinária) um profissional muito conceituado aqui, que trata de cães com leishmaniose, e que me disse que, clinicamente, ele podia afirmar com certeza que meu cão já teve contato com a leishmania.
Fizemos hemograma e exames de urina (uréia e creatinina) onde vimos que ele estava um pouco anêmico e com os rins a beira de uma falência, apesar de não demonstrar nada. Quem o vê, só vê um cão bonito, sadio, cheio de energia.
A três meses, comecei a tratar com medicamentos para os rins e o Alopurinol, que é um leishmaniostático. Mudei a alimentação para ração com baixa proteína (ração de cão idoso), frutas, vit. C. Tivemos um pouco de sucesso no início, mas os rins não se recuperam e voltaram a piorar.
Então agora estou nesta situação, de também depender do Milteforan, tentando comprá-lo sem saber como. Isto porque não posso utilizar os leishmanicidas que consigo no Brasil, pois os rins dele não aguentariam.
Bom, espero que tenha ajudado com estas informações.
Felicidades a todos!