Agradecia comentários a este texto, sobretudo ao 1º parágrafo:
Mais do que uma vez confundi uma matilha de lobos com os cães dos nativos; e o uivar de ambas as espécies é prolongado exactamente no mesmo tom, o que provoca que até mesmo o ouvido experiente dos nativos tenha dificuldade em distingui-los. "Ele acrescenta que os cães esquimós situados mais a Norte não são apenas extremamente similares ao lobo cinzento do Circulo Ártico em morfologia e côr, como também quase idênticos em tamanho. O Dr Kane tem testemunhado, nas suas equipas de cães de trenó, o olho obliquo (uma característica que alguns naturalistas dão grande importância), a cauda caída e o olhar assustado do lobo. Assim, os cães esquimós pouco diferem dos lobos, e segundo o Dr. Hayes, são capazes de não criar laços com os humanos, e são tão selvagens que quando famintos atacarão os seus donos. Kane afirma que rapidamente se tornam ferozes. A afinidade é tão próxima do lobo que são frequentemente cruzados com eles e os nativos ficam com as ninhadas dos lobos para "aumentar a raça dos seus próprios cães". Os arraçados de lobo por vezes (Lamare-Picquot) não podem ser domados, "ainda que seja um caso raro," mas só a partir da 2ª ou 3ª geração é que serão domesticados.
Estes factos mostram que pode haver pouca, se é que alguma diferença entre o cão Esquimó e o lobo, e se assim fosse não seria o lobo utilizado para aumentar as aptidões dos cães. Tal como o Dr. Hayes diz destes cães "sem dúvida que são lobos domesticado"(1/14. As fontes para as afirmações seguintes são como mencionado: --- Richardson em 'Fauna Boreali-Americana' 1829 páginas 64, 75; Dr. Kane 'Arctic Explorations' 1856 volume 1 páginas 398, 455; Dr. Hayes 'Arctic Boat Journey' 1860 página 167. Franklin's 'Narrative' volume 1 pagina 269, exemplifica o caso de 3 cachorros filhos de um lobo negro a serem levados por Nativos. Parry, Richardson e outros testemunham acasalamentos naturais entre lobos e cães nas zonas Este da América do Norte. Seeman na sua obra 'Voyage of H.M.S. "Herald"' 1853 volume 2 página 26, afirma que o lobo é capturado com frequência pelos Esquimós com o objectivo de acasalar com os seus cães e assim adicionar-lhes tamanho e força. M. Lamare-Picquot em 'Bull. de la Soc. d'Acclimat.' Volume 7 1860 página 148, faz bastantes testemunhos sobre os mestiços dos cães esquimós).
O Norte da América é habitado por um segundo tipo de lobo, o lobo das pradarias (Canis latrans), que agora é estudado como especificamente distinto do lobo comum pelos naturalistas; e é, de acordo com o Sr. J.K. Lord, em alguns aspectos intermediário nos habitats entre o lobo e a raposa. Sir J. Richardson, após descrever o cão lebreiro nativo, que difere em muitos aspectos do cão esquimó, afirma: "Mantem-se a mesma relação ao lobo das pradarias como os cães esquimós têm com o grande lobo cinzento". De facto, não conseguiu apontar diferenças significativas entre eles; e Messrs. Nott e Gliddon facultam detalhes adicionais para comprovar a semelhança tão próxima entre os dois. Os cães derivam das duas espécies indígenas cruzadas entre si e com lobos selvagens, pelo menos com o C. occidentalis e com os cães Europeus. na Flórida, de acordo com Bartram, o lobo-cão preto dos nativos em nada difere do lobo daquela região excepto no ladrar. (1/15. 'Fauna Boreali-Americana' 1829 páginas 73, 78, 80. Nott e Gliddon, 'Types of Mankind' página 383. O naturalista e viajante Bartram é citado por Hamilton Smith em 'Naturalist Lib.' volume 10 página 156. Um cão doméstico mexicano tem tambem semelhanças a um cão selvagem do mesmo país; mas este pode ser o lobo das pradarias. Outro competente juiz, Mr. J.K. Lord ('The Naturalist in Vancouver Island' 1866 volume 2 página 218) afirma que o cão nativo dos Spokans, junto ás Montanhas Rochosas, "é sem qualquer dúvida nada mais do que um coiote domesticado ou lobo das pradarias," ou canis latrans.) (...)
Charles Darwin, 1868, The Variation of Animals and Plants Under Domestication, V1, Page 16