Que bom abrir este tópico e ler as suas palavras Sara!

Vai ver que depois de perceber a fundo como funciona este tipo de treino, NUNCA mais vai querer voltar atrás e vai aplica-lo em tudo na sua vida!

É contagiante..
Ainda bem que já vê resultados com o novo treino. Mas só um reparo, que é muito comum em quem ainda é verdinho nestas andanças do positivo. Isto, tendo em conta o que escreveu:
"(...) lá vem ele de rabo a abanar e recebe a recompensa + click"
A recompensa vem sempre DEPOIS do click. O clik funciona como um marcador do comportamento desejado, que "diz" ao cão, que aquele exacto comportamento que está a fazer quando ouve o click, vai fazê-lo receber uma recompensa! Yeh!

Então, esse comportamento terá tendência a ser repetido no futuro, como forma de ser recompensado.
Se der o biscoito antes do click, o som não tem qualquer significado para o cão.
Outra coisa importante é que, depois do comportamento já estar aprendido, não é mais necessário utilizar o clicker. Ele serve apenas para ensinar e alterar comportamentos. O mesmo acontece com as recompensas. Depois do comportamento estar aprendido, coloca-se em "reforço intermitente" (mais um conceito para ir pesquisar!

).
Em relação à pergunta sobre as consequências do treino dito "tradicional", que se baseia em aversivos, físicos e/ou psicológicos. Não se aplica apenas a Labradores ou cães grandes, aplica-se a qualquer animal, racional ou irracional.
Mas resumidamente, o castigo não ensina nada à pessoa/animal castigada. Não lhe ensina o que deve fazer em vez do comportamento indesejado, apenas o reprime. Mas ele continua lá! E o cão vai fazê-lo quando achar seguro, ou seja, quando o "punidor" não estiver presente. Vou dar um exemplo: um cão que cava um buraco no jardim e é castigado pelo dono, provavelmente não o fará mais na presença dele, para evitar ser castigado. Mas quando o dono não está, ele sabe que é seguro e começa a cavar, porque é um comportamento natural dos cães. O dono ao castiga-lo não lhe ensinou o que deveria fazer em vez de cavar.
Outra consequência é que o cão na altura do castigo pode não perceber porque está a ser castigado, e pode associar essa punição a inúmeras outras situações que estejam a ocorrer ao mesmo tempo. Por exemplo: um cão que puxa na trela quando vê outro cão. O dono para evitar que ele puxe, dá-lhe esticões na trela (estranguladora) e ralha com ele. Como é que o cão consegue perceber, que é o facto de estar a puxar que o faz ser castigado? Pode associar o castigo à presença do cão, à presença do dono, à presença de uma criança que vai a passar, ao local em que tudo se passa, ou pode associar ao facto de estar a puxar. Levando a situações de ansiedade e frustração, originando muitas vezes agressividade ou reactividade à situação.
As situações de punições (severas) originam cães que têm medo de oferecer novos comportamentos, com medo de serem castigados. Não têm iniciativa própria, perto do punidor.
O treino positivo é um treino baseado na cooperação entre dono e cão. Há uma tentativa de comunicação, e o cão é activo no treino, na medida em que, tem que pensar em formas de ser recompensado. Neste treino NUNCA tocamos no cão, para que ele faça algo, é tudo mérito dele, com uma ajudinha nossa!
Os comportamentos desejados são recompensados e os indesejados são ignorados ou é ensinado um comportamento alternativo. Aqui pensamos assim: "o que é que eu gostava que o meu cão fizesse nesta situação?" Por exemplo, ele puxa quando vê outros cães, e eu quero que ele olhe para mim ou se sente quando vir outro cão, então é isso que vou ensinar.
Não é fácil explicar mais por aqui, posso dar algumas referências bibliográficas como: "Don´t Shoot the Dog" da Karen Pryor, "Culture Clash" da Jean Donaldson, "Agora Conheço o meu cão" da Nicole Gil, "Introducing to Clicker training" de Karen Pryor, entre outros, que depois posso dar se quiser. E alguns canais no youtube também.