doglover80 Escreveu:
Agora foi você que não percebeu... eu coloco o problema na falta de conhecimentos dos donos não nos cães... para mim a genética representa 10% do caracter do cão e as experiências de vida 90%. Tal como existem oittbulls agressivos para outros cães existem outros completamente sociáveis toda a vida ... logo mais uma vez não generalize... não é da raça.
Não tenho intervindo neste tópico pois tenho lido inúmeras opiniões com as quais estou em plena e total concordância. A dinodane tem reproduzido fielmente (e com grande aprumo) a minha maneira de pensar, mas achei por bem expor agora as minhas cogitações.
Tenho sérias dúvidas de que o património genético de um animal influa tão pouco (como 10%) no seu temperamento. Parece-me extremamente inverosímil. As raças têm sido aperfeiçoadas ao longo de décadas por exibirem, ou não, certos e determinados comportamentos. É precisamente isso que permite a definição dos padrões da raça em termos de temperamento (os padrões estéticos são despiciendos para o assunto em debate). Uma pessoa quando opta por adquirir um animal da raça A ou B, procura única e exclusivamente uma coisa:
previsibilidade.
É natural que cada filhote de uma ninhada tenha a sua própria personalidade. Os cães, como nós, estão dotados de personalidades individuais. Mas é impossível não estereotipar quando se fala de raças. Se assim fosse, qualquer cão, independentemente da raça, poderia desempenhar funções de guarda, caça ou companhia.
Para fins de sociabilização, todos devemos educar os nossos cães. Mas a melhor maneira de avaliar o real temperamento de um animal (o ingénito) seria observá-lo sem qualquer espécie de treino. Não é preciso treinar um Golden para funções de companhia. Não é preciso treinar um Rafeiro Alentejano para funções de guarda. Está-lhes no sangue!
Afirma-se (e bem!) que os cães com forte tendência dominante requerem um treino mais específico. Mas no fundo, o que estamos a fazer ao treiná-los não é mais do que mitigar os traços temperamentais que menos nos agradam, ou seja, os que menos se encaixam na nossa forma de vivência em sociedade.
Nenhum cão equilibrado deverá exibir agressividade em relação aos humanos. Uma coisa é guardar o território, outra é agressividade gratuita. Nenhuma raça foi desenvolvida com esse propósito. Contudo, o APBT foi criado com único propósito: lutas caninas. Não vejo como contornar este aspecto. São gerações e gerações de herança genética seleccionada com base no nível de agressividade perante outros cães. Acredito que hoje não seja este o principal critério na selecção de reprodutores, mas a origem da raça reside na agressividade.
Isto não é defeito temperamental, é herança genética! Claro que nem todos os APBT serão assim, mas a maioria certamente será porque é assim que devem ser. É perfeitamente natural que um APBT saudável e equilibrado seja agressivo na presença de outros cães. É-me impossível não generalizar quando, no fundo, uma raça não é mais do que um estereótipo!
Falar das 7 raças consideradas potencialmente perigosas daria azo a uma nova discussão. Mas no caso dos APBT, considero com a classificação. São animais que à partida apresentam uma predisposição agressiva, daí serem rotulados de POTENCIALMENTE perigosos (para outros cães).
Infelizmente este “potencialmente” cai por terra nas mãos de muita gente que adquire exemplares desta raça com o intuito de exacerbar esta agressividade. E aí sim, tornam-se em animais realmente perigosos, e são estes que povoam as notícias pelos piores motivos.