Párias. Perguntas
Moderador: mcerqueira
Boa noite,
reparei que embora a quantidade de cães-párias seja bastante grande, é relativamente raro eles formarem matilhas (estou a comparar com a Rússia onde párias vivem quase exclusivamente em matilhas). Qual é a explicação? As fêmeas não faltam (também não abundam, é verdade, mas existem) e já vi várias vezes os, como os chamam na minha terra, "casamentos caninos", os cortejos compostos de fêmea com cio e vários machos a segui-la. Vi também as fêmeas grávidas. Uma ou duas vezes vi fêmeas com cachorros. Vi as "uniões leais" entre dois-tres machos e imensos machos solitários. Mas nunca ou quase nunca vi matilhas. É o resultado de alguma actividade humana ou é algum fenómeno natural?
Mais uma pergunta:
Eu usei o termo "pária" mas não tenho certeza que seja apropriado. Os cães vadios que patrulham as lixeiras são mesmo párias (cães que que vivem na rua há gerações e são, basicamente, animais selvagens que sabem conviver com a sociedade humana) ou em tempos foram abandonados/perdidos? Ou é uma mistura de uns e outros? Os cães abandonados sobrevivem na rua (na Rússia não, por múltiplas razões: clima, falta de comida e, muitas vezes, as próprias matilhas que não gostam de estranhos)?
Eu pesquisei um bocadinho mas sem sucesso. Se me recomendarem algum estudo sobre o assunto, estarei muito grata.
P.S. Quase que me esqueci. O que é suposto fazer uma pessoa ao encontrar um cão vadio (obviamente vadio, não o que parece ser recém-abandonado ou perdido)? Apanha-lo e levar ao canil municipal? Ligar a uma associação qualquer? Deixar estar já que faz parte do ecossistema?
Obrigada
reparei que embora a quantidade de cães-párias seja bastante grande, é relativamente raro eles formarem matilhas (estou a comparar com a Rússia onde párias vivem quase exclusivamente em matilhas). Qual é a explicação? As fêmeas não faltam (também não abundam, é verdade, mas existem) e já vi várias vezes os, como os chamam na minha terra, "casamentos caninos", os cortejos compostos de fêmea com cio e vários machos a segui-la. Vi também as fêmeas grávidas. Uma ou duas vezes vi fêmeas com cachorros. Vi as "uniões leais" entre dois-tres machos e imensos machos solitários. Mas nunca ou quase nunca vi matilhas. É o resultado de alguma actividade humana ou é algum fenómeno natural?
Mais uma pergunta:
Eu usei o termo "pária" mas não tenho certeza que seja apropriado. Os cães vadios que patrulham as lixeiras são mesmo párias (cães que que vivem na rua há gerações e são, basicamente, animais selvagens que sabem conviver com a sociedade humana) ou em tempos foram abandonados/perdidos? Ou é uma mistura de uns e outros? Os cães abandonados sobrevivem na rua (na Rússia não, por múltiplas razões: clima, falta de comida e, muitas vezes, as próprias matilhas que não gostam de estranhos)?
Eu pesquisei um bocadinho mas sem sucesso. Se me recomendarem algum estudo sobre o assunto, estarei muito grata.
P.S. Quase que me esqueci. O que é suposto fazer uma pessoa ao encontrar um cão vadio (obviamente vadio, não o que parece ser recém-abandonado ou perdido)? Apanha-lo e levar ao canil municipal? Ligar a uma associação qualquer? Deixar estar já que faz parte do ecossistema?
Obrigada
Raramente formam matilhas?
É precisamente o contrário, o que tenho visto é que se juntam logo em matilhas! E são essas matilhas que fazem grandes estragos no campo, quando atacam animais domésticos.
Se consultar o ICN vai ver que eles tem uam série de informação sobre os estragos que estas matilhas fazem em zonas protegidas.
Até em contexto urbano se encontram estas matilhas.
É precisamente o contrário, o que tenho visto é que se juntam logo em matilhas! E são essas matilhas que fazem grandes estragos no campo, quando atacam animais domésticos.
Se consultar o ICN vai ver que eles tem uam série de informação sobre os estragos que estas matilhas fazem em zonas protegidas.
Até em contexto urbano se encontram estas matilhas.
Acresce que a matilha até pode ser formada por dois ou três animais, pois o que a distingue é o comportamento colectivo e não o número.
Mas há uma diferença entre os cães párias, que são os cães abandonados que vivem nos centros urbanos e cujo comportamento é substancialmente diferente do dos cães assilvestrados, e estes últimos.
O que fazer com os cães párias? Se não for possível adoptá-los e fazê-los adoptar e se não forem agressivos, é tentar dar-lhes condições de vida aceitáveis, quer fixando-os na zona, alimentando-os e vacinando-os, responsabilizando-se pela sua saúde, quer instalando-os noutros locais que ofereçam condições, como hotéis e canis. Remetê-los para os canis camarários não defendo, pois serão abatidos, mas esta é só a minha opinião, há aqui muito quem ache o contrário.
Muitas vezes, esses cães assim tratados e acolhidos acabam a desempenhar um papel de guarda e vigilância muito apreciável.
Mas há uma diferença entre os cães párias, que são os cães abandonados que vivem nos centros urbanos e cujo comportamento é substancialmente diferente do dos cães assilvestrados, e estes últimos.
O que fazer com os cães párias? Se não for possível adoptá-los e fazê-los adoptar e se não forem agressivos, é tentar dar-lhes condições de vida aceitáveis, quer fixando-os na zona, alimentando-os e vacinando-os, responsabilizando-se pela sua saúde, quer instalando-os noutros locais que ofereçam condições, como hotéis e canis. Remetê-los para os canis camarários não defendo, pois serão abatidos, mas esta é só a minha opinião, há aqui muito quem ache o contrário.
Muitas vezes, esses cães assim tratados e acolhidos acabam a desempenhar um papel de guarda e vigilância muito apreciável.
<p>Olá, eu sou a Bronkas de outros fóruns e aqui já fui a LucNun.
</p>
<p> </p>
<p><strong>Cada vez me convenço mais que há pessoas que têm o intestino ligado à testa.</strong> - "By" alguém que tem ambas as coisas no seu devido lugar.
</p>
<p> </p>
<p><strong>Cada vez me convenço mais que há pessoas que têm o intestino ligado à testa.</strong> - "By" alguém que tem ambas as coisas no seu devido lugar.
Fixando-os na zona? Mas que zona? Por ex. nas praias onde se vê aos montes? Ou na periferia de uma aldeia? Ou perto de um campo de golfe ou numa zona como o Guincho?
Não me parece que seja de todo possível. Estes animais causam estragos, tornam-se perigosos para animais domésticos , vão ao lixo, propagam doenças. E esqueceu-se da condição mais importante para não serem abatidos: serem esterilizados.
Todos vemos aqui animais adoptáveis, meigos, domésticos, e levam meses ou anos a terem dono. Não é de todo fácil adoptar animais assilvestrados, posso dizer que já vi cachorritos destes com 3 meses já evitavam ao máximo os humanos. São animais muito desconfiados e timidos, que mantém sempre uma distãncia prudente.
E quem se responsabiliza pelos danos provocados por estes animais à solta? Se mordem alguém, se atacam um animal?
Por outro lado já vi gado morto por cães. Até vitelos pequenos e potros conseguem matar.
E não é crueldade manter encerrados em canis, animais habituados à liberdade total?
N
Não me parece que seja de todo possível. Estes animais causam estragos, tornam-se perigosos para animais domésticos , vão ao lixo, propagam doenças. E esqueceu-se da condição mais importante para não serem abatidos: serem esterilizados.
Todos vemos aqui animais adoptáveis, meigos, domésticos, e levam meses ou anos a terem dono. Não é de todo fácil adoptar animais assilvestrados, posso dizer que já vi cachorritos destes com 3 meses já evitavam ao máximo os humanos. São animais muito desconfiados e timidos, que mantém sempre uma distãncia prudente.
E quem se responsabiliza pelos danos provocados por estes animais à solta? Se mordem alguém, se atacam um animal?
Por outro lado já vi gado morto por cães. Até vitelos pequenos e potros conseguem matar.
E não é crueldade manter encerrados em canis, animais habituados à liberdade total?
N
Moslie, como disse, há diferenças entre animais assilvestrados, que são de facto impossíveis de domesticar, e animais párias, aqueles a que vulgarmente chamamos "abandonados".
A maior parte desses males que aponta poderiam ser evitados se as pessoas fizessem como eu disse acima. E falo por experiência, pois não são poucos os casos do meu conhecimento e a que presenciei em que as coisas resultaram muito bem quando assim se procedeu.
A maior parte desses males que aponta poderiam ser evitados se as pessoas fizessem como eu disse acima. E falo por experiência, pois não são poucos os casos do meu conhecimento e a que presenciei em que as coisas resultaram muito bem quando assim se procedeu.
<p>Olá, eu sou a Bronkas de outros fóruns e aqui já fui a LucNun.
</p>
<p> </p>
<p><strong>Cada vez me convenço mais que há pessoas que têm o intestino ligado à testa.</strong> - "By" alguém que tem ambas as coisas no seu devido lugar.
</p>
<p> </p>
<p><strong>Cada vez me convenço mais que há pessoas que têm o intestino ligado à testa.</strong> - "By" alguém que tem ambas as coisas no seu devido lugar.
Por isso é que eu fiquei admirada: os cães devem formar matilhas, é a maneira natural de sobreviverem, mas eu vejo maioritarmente os animais solitários que se crusam (geograficamente) mas não se juntam.moslie Escreveu:Raramente formam matilhas?
É precisamente o contrário, o que tenho visto é que se juntam logo em matilhas! E são essas matilhas que fazem grandes estragos no campo, quando atacam animais domésticos.
Se consultar o ICN vai ver que eles tem uam série de informação sobre os estragos que estas matilhas fazem em zonas protegidas.
Até em contexto urbano se encontram estas matilhas.
Obrigada, vou consultar o ICN.
"Abandonados" são animais que já tiveram dono e são lançados na rua.
Não é igual a cães-párias.
Párias ou assilvestrados são animais que já não tem vínculo com seres humanos, que nascem e vivem sem intervenção de humanos mas que ao contrário dos animais selvagens, não temem o homem e não hesitam em aproximar-se de habitações. São um probelma em África, na India, em todo o lado. Os cães descendentes de cães de trenó em certas localidades no Canadá, tornam-se muito perigosos, ainda por cima são animais meio selvagens, voltam totalmente ao estado selvagem. Nests casos, é muito triste, mas lá não hesitam em abatê-los. É claro que por detrás está o abandono inicial de animais que sobrevivem e dão origem a gerações já assilvestradas.
Não é por serem cães que vamos considerar que não são um grande problema. Não me digam que é normal haver como vi aqui contar, uma matilha de grande porte a vaguear por um campo de golfe!
Vamos alimentá-los? E as vacinas, como é? Temos de ser mais realistas, eu já vi de perto uma matilha destas e não tenho problema em dizer que fiquei com medo.
Não é igual a cães-párias.
Párias ou assilvestrados são animais que já não tem vínculo com seres humanos, que nascem e vivem sem intervenção de humanos mas que ao contrário dos animais selvagens, não temem o homem e não hesitam em aproximar-se de habitações. São um probelma em África, na India, em todo o lado. Os cães descendentes de cães de trenó em certas localidades no Canadá, tornam-se muito perigosos, ainda por cima são animais meio selvagens, voltam totalmente ao estado selvagem. Nests casos, é muito triste, mas lá não hesitam em abatê-los. É claro que por detrás está o abandono inicial de animais que sobrevivem e dão origem a gerações já assilvestradas.
Não é por serem cães que vamos considerar que não são um grande problema. Não me digam que é normal haver como vi aqui contar, uma matilha de grande porte a vaguear por um campo de golfe!
Vamos alimentá-los? E as vacinas, como é? Temos de ser mais realistas, eu já vi de perto uma matilha destas e não tenho problema em dizer que fiquei com medo.
A culpa deve ser do dicionário. Eu estava a referir-me a uma estuctura que os caninos formam para caçar (procurar comida), procriar, proteger e transmitir os conhecimentos em conjunto. União de dois cães do mesmo sexo pode procurar comida juntos mas não pode procriar nem educar as crias. Como é que se chama esta estructura em português?LuluB Escreveu:Acresce que a matilha até pode ser formada por dois ou três animais, pois o que a distingue é o comportamento colectivo e não o número.
Outra vez deve tratar-se da diferença terminológica. Nos estudos ethologicos russos chamam-se párias os animais selvagens que fazem parte do ecossistema urbano como pombos ou ratos, vivem na cidade, instalam-se perto das fontes da comida, procriam, convivem com os humanos mas nunca foram abandonados porque, como eu já disse, os cães abandonados ali não sobrevivem: a falta de conhecimentos sobre a vida na rua que os párias aprendem em cachorros com os membros adultos da matilha e as próprias matilhas selvagens não lheso deixam hipóteses. Então aqui esses animais chamam-se assilvestrados? Muito obrigada.Mas há uma diferença entre os cães párias, que são os cães abandonados que vivem nos centros urbanos e cujo comportamento é substancialmente diferente do dos cães assilvestrados, e estes últimos.
-
BrownEye
- Membro Veterano
- Mensagens: 1152
- Registado: quinta fev 04, 2010 3:47 pm
- Localização: caes e tartarugas terrestres
Parece que sim, aqui na arca usa-se muito o termo "assilvestrado" para definir um animal digamos que "quase selvagem" mas não chega a ser propriamente um.Então aqui esses animais chamam-se assilvestrados?
Embora não se encontre no dicionário, procurei em vários e não encontrei...
Existe mesmo essa palavra?
Não é normal, de todo. É um perigo. Já presenseei vários ataques de matilhas aos cães com donos e uma vez fui atacada pessoalmente ao sair do metro. Mas em Moscovo, no inverno, na altura quando os cães-párias passam mais fome e tornam-se mais ousados.moslie Escreveu:"
Não é por serem cães que vamos considerar que não são um grande problema. Não me digam que é normal haver como vi aqui contar, uma matilha de grande porte a vaguear por um campo de golfe!
Vamos alimentá-los? E as vacinas, como é? Temos de ser mais realistas, eu já vi de perto uma matilha destas e não tenho problema em dizer que fiquei com medo.
Será que seja um termo? Eu está a tornar-se um termo? Não sei...BrownEye Escreveu:Parece que sim, aqui na arca usa-se muito o termo "assilvestrado" para definir um animal digamos que "quase selvagem" mas não chega a ser propriamente um.Então aqui esses animais chamam-se assilvestrados?
Embora não se encontre no dicionário, procurei em vários e não encontrei...
Existe mesmo essa palavra?
O termo exacto é mesmo assilvestrado. E há matilhas sim.Agora, se uma pessoa vive na cidade ou perto dela é natural que não as encontre facilmente.Na Margem Sul pelo que me disseram foram identificadas matilhas na Trafaria, Fernão Ferro; Azeitão, Setúbal, Palhais( Barreiro), que são riscos para a saúde pública e que estão a ser apanhadas.Haverá mais, decerto.
Obrigada.
Quer dizer que aqui as matilhas se formam exclusivamente fora das cidades, ou nas cidades o controlo é mais apertado?
É que eu estou habituada às matilhas urbanas, que se formam nos lugares de grandes construcções, nos grandes parques de estacionamento, ao pé dos mercados, enfim, em lugares onde há condições e comida suficiente para garantir a sobrevivência duma matilha.
Quer dizer que aqui as matilhas se formam exclusivamente fora das cidades, ou nas cidades o controlo é mais apertado?
É que eu estou habituada às matilhas urbanas, que se formam nos lugares de grandes construcções, nos grandes parques de estacionamento, ao pé dos mercados, enfim, em lugares onde há condições e comida suficiente para garantir a sobrevivência duma matilha.
Tendo em conta as condições de salubridade das cidades é mais dificil existirem matilhas de assilvestrados. Quando as há é sinal de problemas graves de saneamento. Onde há um grande problema com isso é na antiga Jugoslávia e disse-me um amigo que se vai começar o abate massivo das matilhas, um pouco como se fez em 45-48 em quase toda a europa do pós guerra.