Párias. Perguntas

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Moderador: mcerqueira

sobaka
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domingo set 26, 2010 1:58 am

Boa noite,

reparei que embora a quantidade de cães-párias seja bastante grande, é relativamente raro eles formarem matilhas (estou a comparar com a Rússia onde párias vivem quase exclusivamente em matilhas). Qual é a explicação? As fêmeas não faltam (também não abundam, é verdade, mas existem) e já vi várias vezes os, como os chamam na minha terra, "casamentos caninos", os cortejos compostos de fêmea com cio e vários machos a segui-la. Vi também as fêmeas grávidas. Uma ou duas vezes vi fêmeas com cachorros. Vi as "uniões leais" entre dois-tres machos e imensos machos solitários. Mas nunca ou quase nunca vi matilhas. É o resultado de alguma actividade humana ou é algum fenómeno natural?

Mais uma pergunta:
Eu usei o termo "pária" mas não tenho certeza que seja apropriado. Os cães vadios que patrulham as lixeiras são mesmo párias (cães que que vivem na rua há gerações e são, basicamente, animais selvagens que sabem conviver com a sociedade humana) ou em tempos foram abandonados/perdidos? Ou é uma mistura de uns e outros? Os cães abandonados sobrevivem na rua (na Rússia não, por múltiplas razões: clima, falta de comida e, muitas vezes, as próprias matilhas que não gostam de estranhos)?

Eu pesquisei um bocadinho mas sem sucesso. Se me recomendarem algum estudo sobre o assunto, estarei muito grata.

P.S. Quase que me esqueci. O que é suposto fazer uma pessoa ao encontrar um cão vadio (obviamente vadio, não o que parece ser recém-abandonado ou perdido)? Apanha-lo e levar ao canil municipal? Ligar a uma associação qualquer? Deixar estar já que faz parte do ecossistema?

Obrigada
moslie
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domingo set 26, 2010 10:05 am

Raramente formam matilhas?
É precisamente o contrário, o que tenho visto é que se juntam logo em matilhas! E são essas matilhas que fazem grandes estragos no campo, quando atacam animais domésticos.
Se consultar o ICN vai ver que eles tem uam série de informação sobre os estragos que estas matilhas fazem em zonas protegidas.
Até em contexto urbano se encontram estas matilhas.
LuluB
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domingo set 26, 2010 11:26 am

Acresce que a matilha até pode ser formada por dois ou três animais, pois o que a distingue é o comportamento colectivo e não o número.

Mas há uma diferença entre os cães párias, que são os cães abandonados que vivem nos centros urbanos e cujo comportamento é substancialmente diferente do dos cães assilvestrados, e estes últimos.

O que fazer com os cães párias? Se não for possível adoptá-los e fazê-los adoptar e se não forem agressivos, é tentar dar-lhes condições de vida aceitáveis, quer fixando-os na zona, alimentando-os e vacinando-os, responsabilizando-se pela sua saúde, quer instalando-os noutros locais que ofereçam condições, como hotéis e canis. Remetê-los para os canis camarários não defendo, pois serão abatidos, mas esta é só a minha opinião, há aqui muito quem ache o contrário.

Muitas vezes, esses cães assim tratados e acolhidos acabam a desempenhar um papel de guarda e vigilância muito apreciável.
<p>Ol&aacute;, eu sou a Bronkas de outros f&oacute;runs e aqui j&aacute; fui a LucNun. :mrgreen:</p>
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<p><strong>Cada vez me conven&ccedil;o mais que h&aacute; pessoas que t&ecirc;m o intestino ligado &agrave; testa.</strong> - "By" algu&eacute;m que tem ambas as coisas no seu devido lugar. :mrgreen:</p>
moslie
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domingo set 26, 2010 11:44 am

Fixando-os na zona? Mas que zona? Por ex. nas praias onde se vê aos montes? Ou na periferia de uma aldeia? Ou perto de um campo de golfe ou numa zona como o Guincho?
Não me parece que seja de todo possível. Estes animais causam estragos, tornam-se perigosos para animais domésticos , vão ao lixo, propagam doenças. E esqueceu-se da condição mais importante para não serem abatidos: serem esterilizados.

Todos vemos aqui animais adoptáveis, meigos, domésticos, e levam meses ou anos a terem dono. Não é de todo fácil adoptar animais assilvestrados, posso dizer que já vi cachorritos destes com 3 meses já evitavam ao máximo os humanos. São animais muito desconfiados e timidos, que mantém sempre uma distãncia prudente.

E quem se responsabiliza pelos danos provocados por estes animais à solta? Se mordem alguém, se atacam um animal?

Por outro lado já vi gado morto por cães. Até vitelos pequenos e potros conseguem matar.

E não é crueldade manter encerrados em canis, animais habituados à liberdade total?

N
LuluB
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domingo set 26, 2010 11:51 am

Moslie, como disse, há diferenças entre animais assilvestrados, que são de facto impossíveis de domesticar, e animais párias, aqueles a que vulgarmente chamamos "abandonados".

A maior parte desses males que aponta poderiam ser evitados se as pessoas fizessem como eu disse acima. E falo por experiência, pois não são poucos os casos do meu conhecimento e a que presenciei em que as coisas resultaram muito bem quando assim se procedeu.
<p>Ol&aacute;, eu sou a Bronkas de outros f&oacute;runs e aqui j&aacute; fui a LucNun. :mrgreen:</p>
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dinodane
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domingo set 26, 2010 12:00 pm

Para mim pária e assilvestrado neste contexto são sinónimos.

"A inveja é a arma do incompetente" Anónimo

sobaka
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domingo set 26, 2010 12:20 pm

moslie Escreveu:Raramente formam matilhas?
É precisamente o contrário, o que tenho visto é que se juntam logo em matilhas! E são essas matilhas que fazem grandes estragos no campo, quando atacam animais domésticos.
Se consultar o ICN vai ver que eles tem uam série de informação sobre os estragos que estas matilhas fazem em zonas protegidas.
Até em contexto urbano se encontram estas matilhas.
Por isso é que eu fiquei admirada: os cães devem formar matilhas, é a maneira natural de sobreviverem, mas eu vejo maioritarmente os animais solitários que se crusam (geograficamente) mas não se juntam.
Obrigada, vou consultar o ICN.
moslie
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domingo set 26, 2010 12:26 pm

"Abandonados" são animais que já tiveram dono e são lançados na rua.
Não é igual a cães-párias.

Párias ou assilvestrados são animais que já não tem vínculo com seres humanos, que nascem e vivem sem intervenção de humanos mas que ao contrário dos animais selvagens, não temem o homem e não hesitam em aproximar-se de habitações. São um probelma em África, na India, em todo o lado. Os cães descendentes de cães de trenó em certas localidades no Canadá, tornam-se muito perigosos, ainda por cima são animais meio selvagens, voltam totalmente ao estado selvagem. Nests casos, é muito triste, mas lá não hesitam em abatê-los. É claro que por detrás está o abandono inicial de animais que sobrevivem e dão origem a gerações já assilvestradas.

Não é por serem cães que vamos considerar que não são um grande problema. Não me digam que é normal haver como vi aqui contar, uma matilha de grande porte a vaguear por um campo de golfe!

Vamos alimentá-los? E as vacinas, como é? Temos de ser mais realistas, eu já vi de perto uma matilha destas e não tenho problema em dizer que fiquei com medo.
sobaka
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domingo set 26, 2010 1:51 pm

LuluB Escreveu:Acresce que a matilha até pode ser formada por dois ou três animais, pois o que a distingue é o comportamento colectivo e não o número.
A culpa deve ser do dicionário. Eu estava a referir-me a uma estuctura que os caninos formam para caçar (procurar comida), procriar, proteger e transmitir os conhecimentos em conjunto. União de dois cães do mesmo sexo pode procurar comida juntos mas não pode procriar nem educar as crias. Como é que se chama esta estructura em português?  
Mas há uma diferença entre os cães párias, que são os cães abandonados que vivem nos centros urbanos e cujo comportamento é substancialmente diferente do dos cães assilvestrados, e estes últimos.
Outra vez deve tratar-se da diferença terminológica. Nos estudos ethologicos russos chamam-se párias os animais selvagens que fazem parte do ecossistema urbano como pombos ou ratos, vivem na cidade, instalam-se perto das fontes da comida, procriam, convivem com os humanos mas nunca foram abandonados porque, como eu já disse, os cães abandonados ali não sobrevivem: a falta de conhecimentos sobre a vida na rua que os párias aprendem em cachorros com os membros adultos da matilha e as próprias matilhas selvagens não lheso deixam hipóteses.  Então aqui esses animais chamam-se assilvestrados? Muito obrigada.
BrownEye
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domingo set 26, 2010 2:19 pm

Então aqui esses animais chamam-se assilvestrados?
Parece que sim, aqui na arca usa-se muito o termo "assilvestrado" para definir um animal digamos que "quase selvagem" mas não chega a ser propriamente um.
Embora não se encontre no dicionário, procurei em vários e não encontrei...


Existe mesmo essa palavra?
sobaka
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domingo set 26, 2010 2:21 pm

moslie Escreveu:"

Não é por serem cães que vamos considerar que não são um grande problema. Não me digam que é normal haver como vi aqui contar, uma matilha de grande porte a vaguear por um campo de golfe!

Vamos alimentá-los? E as vacinas, como é? Temos de ser mais realistas, eu já vi de perto uma matilha destas e não tenho problema em dizer que fiquei com medo.
Não é normal, de todo. É um perigo. Já presenseei vários ataques de matilhas aos cães com donos e uma vez fui atacada pessoalmente ao sair do metro. Mas em Moscovo, no inverno, na altura quando os cães-párias passam mais fome e tornam-se mais ousados.
sobaka
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domingo set 26, 2010 2:25 pm

BrownEye Escreveu:
Então aqui esses animais chamam-se assilvestrados?
Parece que sim, aqui na arca usa-se muito o termo "assilvestrado" para definir um animal digamos que "quase selvagem" mas não chega a ser propriamente um.
Embora não se encontre no dicionário, procurei em vários e não encontrei...


Existe mesmo essa palavra?
Será que seja um termo? Eu está a tornar-se um termo? Não sei...
VascoMV
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domingo set 26, 2010 3:29 pm

O termo exacto é mesmo assilvestrado. E há matilhas sim.Agora, se uma pessoa vive na cidade ou perto dela é natural que não as encontre facilmente.Na Margem Sul pelo que me disseram foram identificadas matilhas na Trafaria, Fernão Ferro; Azeitão, Setúbal, Palhais( Barreiro), que são riscos para a saúde pública e que estão a ser apanhadas.Haverá mais, decerto.
sobaka
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domingo set 26, 2010 3:39 pm

Obrigada.
Quer dizer que aqui as matilhas se formam exclusivamente fora das cidades, ou nas cidades o controlo é mais apertado?
É que eu estou habituada às matilhas urbanas, que se formam nos lugares de grandes construcções, nos grandes parques de estacionamento, ao pé dos mercados, enfim, em lugares onde há condições e comida suficiente para garantir a sobrevivência duma matilha.
VascoMV
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Registado: sexta jul 09, 2010 7:34 pm

domingo set 26, 2010 6:35 pm

Tendo em conta as condições de salubridade das cidades é mais dificil existirem matilhas de assilvestrados. Quando as há é sinal de problemas graves de saneamento. Onde há um grande problema com isso é na antiga Jugoslávia e disse-me um amigo que se vai começar o abate massivo das matilhas, um pouco como se fez em 45-48 em quase toda a europa do pós guerra.
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