É muito interessante este fenómeno de animais que voltam para o estado selvagem e sobrevivem em contexto urbano ou semi-urbano.
Tanto há domésticos que voltam ao selvagem como selvagens que se tornam oportunistas, já vi raposas a irem ao lixo, cá em Portugal!
Estes cães acabam por ser mais perigosos que animais selvagens porque aproveitam oportunidades como lixeiras, contentores, quintas, reproduzem-se muito e não temem o homem. Estão ao mesmo tempo nos dois lados. São o castigo pelos abandonos!
Segundo o ICN no caso da cabra montesa, um dos principais problemas são os cães assilvestrados. Mas vá-se lá fazer o pessoal do campo eserilizar animais! Aliás, do campo da cidade.
Passei uma enorme vergonha quando trouxe amigos estrangeiros à praia e eles pasmaram com autênticas matilhas nas dunas! Imaginem ir de noite à praia!
Párias. Perguntas
Moderador: mcerqueira
Acha que houve mesmo algum abandono inicial? É que os assilvestrados que vivem em Moscovo muitas vezes até têm o fenotipo mais ou menos comum (com algumas variações de tamanho e cor) e parecem ser muitíssimo bem adaptados à vida na rua: sabem, onde e a quem devem pedinchar comida, sabem entrar e sair do metro (normalmente entram só até estação para se aquecer mas não é raro encontrar um cão mesmo dentro da carruagem, a dormir no banco), sabem atravessar a rua. Penso que isso significa várias gerações a viverem nessas condições, não?
Curiosamente, as matilhas em Moscovo, tirando as que vivem à volta de lixeiras, sobrevivem e multiplicam-se à custa das pessoas que as alimentam. Por exemplo, quando começam a fazer uma obra qualquer, das grandes, guardas nocturnos costumam "adoptar" um ou dois cachorros para ajudarem guardar o território. Se o cachorro é fêmea, passando 2 anos ali já vive uma família inteira mais alguns cães que se juntaram porque os guardas trazem comida. Depois as obras acabam mas a matilha já se formou. Ela ou continua no mesmo sítio se alí há outras fontes de alimentos ou começa a migrar até encontrar outro lugar confortável.VascoMV Escreveu:Tendo em conta as condições de salubridade das cidades é mais dificil existirem matilhas de assilvestrados. Quando as há é sinal de problemas graves de saneamento. Onde há um grande problema com isso é na antiga Jugoslávia e disse-me um amigo que se vai começar o abate massivo das matilhas, um pouco como se fez em 45-48 em quase toda a europa do pós guerra.
Eu estive em Moscovo de 1980 a 1982 e nunca lá vi nenhum cão vadio, o que muito me admirou. Mas devia havê-los, pois um conhecido adoptou um cãozito que encontrou no bairro dele e depois, quando voltou para Portugal, trouxe-o consigo.
Perto da casa em que eu vivia havia uma senhora que tinha um labrador dourado e que ia com ele para o quadrado de relva em frente da da janela da minha cozinha. Às vezes um gato (gatos vadios vi alguns, sim) aparecia e o labrador ladrava-lhe e queria persegui-lo. O gato ficava lá em cima na forquilha, a olhá-lo filosoficamente. A dona do cão puxava-o sempre e depois ralhava-lhe com um dedo esticado em frente do nariz. A cena era sempre muito divertuida...
Bem mas isto já foi há muito tempo, penso que hoje as coisas devem estar totalmente diferentes.
Perto da casa em que eu vivia havia uma senhora que tinha um labrador dourado e que ia com ele para o quadrado de relva em frente da da janela da minha cozinha. Às vezes um gato (gatos vadios vi alguns, sim) aparecia e o labrador ladrava-lhe e queria persegui-lo. O gato ficava lá em cima na forquilha, a olhá-lo filosoficamente. A dona do cão puxava-o sempre e depois ralhava-lhe com um dedo esticado em frente do nariz. A cena era sempre muito divertuida...
Bem mas isto já foi há muito tempo, penso que hoje as coisas devem estar totalmente diferentes.
<p>Olá, eu sou a Bronkas de outros fóruns e aqui já fui a LucNun.
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<p><strong>Cada vez me convenço mais que há pessoas que têm o intestino ligado à testa.</strong> - "By" alguém que tem ambas as coisas no seu devido lugar.
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<p><strong>Cada vez me convenço mais que há pessoas que têm o intestino ligado à testa.</strong> - "By" alguém que tem ambas as coisas no seu devido lugar.
Sim, deve ser...moslie Escreveu:Claro, mas o inicio de tudo está nos animais lançados à rua e não esterilizados
Esses devem ser mais "civilizados" que estes de cá, que evitam grandes proximidades e fogem à simples menção de os tocarem.
São mais "citadinos"
editei para adicionar o vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=sqP2-TBaRvk
não sei se exactamente esta filmagem é verdadeira, mas esses ataques acontecem na realidade.
Última edição por sobaka em domingo set 26, 2010 11:21 pm, editado 1 vez no total.
Sim, naquela altura havia muito pouco: a grande maioria era abatida para limpar as ruas na época dos Jogos Olímpicos.LuluB Escreveu:Eu estive em Moscovo de 1980 a 1982 e nunca lá vi nenhum cão vadio, o que muito me admirou. Mas devia havê-los, pois um conhecido adoptou um cãozito que encontrou no bairro dele e depois, quando voltou para Portugal, trouxe-o consigo.
ImaginoPerto da casa em que eu vivia havia uma senhora que tinha um labrador dourado e que ia com ele para o quadrado de relva em frente da da janela da minha cozinha. Às vezes um gato (gatos vadios vi alguns, sim) aparecia e o labrador ladrava-lhe e queria persegui-lo. O gato ficava lá em cima na forquilha, a olhá-lo filosoficamente. A dona do cão puxava-o sempre e depois ralhava-lhe com um dedo esticado em frente do nariz. A cena era sempre muito divertuida...
Sim, a vida mudou bastante, as leis mudaram também. Antigamente haviam os serviços que se "ocupavam" dos cães vadios (na altura isso significava caça e abate em massa), agora eles ainda existem mas não funcionam mesmo nada. Por outro lado, há pessoas e associações que tentam fazer alguma coisa mas é "uma gota num mar". Entretanto, as matilhas tornam-se problema cada vez mais sério...Bem mas isto já foi há muito tempo, penso que hoje as coisas devem estar totalmente diferentes.
Por isso é que eu estranhei tanto a não ver matilhas em ambiente urbano em Portugal. Não estou habituada
Está a falar de Moscovo ? Pensei que falava da Europa Ocidental:Da maneira como as coisas foram desde sempre em Moscovo é natural que existam matilhas aos montes em ambiente urbano...são realidade totalmente diferentessobaka Escreveu:[
Por isso é que eu estranhei tanto a não ver matilhas em ambiente urbano em Portugal. Não estou habituada
sim, eu referi isso no próprio tópico.
as realidades diferentes por si não explicam grande coisa.
se aqui nem sequer houvesse cães-párias eu não faria a minha pergunta, mas há, imensos.
eu moro numa cidade relativamente grande (para Portugal) mais ou menos no centro da cidade e em quase 9 meses que passeio com o meu cão já conheci quase duas dezenas de cães vadios (não sei dizer o número certo, alguns deles migram, aparecem e desaparecem).
2 deles, ambos machos, formavam durante bastante tempo uma "aliança", agora já andam separadamente. 3 formaram uma espécie de matilha, vivem ao pé do mercado - é algo habitual para os meus olhos, onde há comida, há cães.
do resto todos vagueiam sozinhos o que me faz confusão, pois pensei que os cães vadios obrigatoriamente se juntam em matilhas.
agora eu entendo que aqui uma matilha tem mais hipóteses de chamar a atenção dos serviços especializados enquanto um cão solitário passa mais ou menos despercebido.
mas neste caso eles não podem reproduzir-se, o que quer dizer que a maioria se não todos os cães vadios que vivem agora em ambiente urbano é resultado de abandono?
confesso, é chocante.
as realidades diferentes por si não explicam grande coisa.
se aqui nem sequer houvesse cães-párias eu não faria a minha pergunta, mas há, imensos.
eu moro numa cidade relativamente grande (para Portugal) mais ou menos no centro da cidade e em quase 9 meses que passeio com o meu cão já conheci quase duas dezenas de cães vadios (não sei dizer o número certo, alguns deles migram, aparecem e desaparecem).
2 deles, ambos machos, formavam durante bastante tempo uma "aliança", agora já andam separadamente. 3 formaram uma espécie de matilha, vivem ao pé do mercado - é algo habitual para os meus olhos, onde há comida, há cães.
do resto todos vagueiam sozinhos o que me faz confusão, pois pensei que os cães vadios obrigatoriamente se juntam em matilhas.
agora eu entendo que aqui uma matilha tem mais hipóteses de chamar a atenção dos serviços especializados enquanto um cão solitário passa mais ou menos despercebido.
mas neste caso eles não podem reproduzir-se, o que quer dizer que a maioria se não todos os cães vadios que vivem agora em ambiente urbano é resultado de abandono?
confesso, é chocante.
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joanaduarte
- Membro
- Mensagens: 178
- Registado: quarta fev 17, 2010 2:14 pm
Creio que a formação e tamanho das matilhas tb estão relacinados com as muito diferentes pressões ecologicas entre a Russia e Portugal.
Na Russia onde o clima é muito mais agreste as fontes de comida fora das cidades, durante o inverno, são muito mais escassas forçando a maioria dos animais a viver exclusivamente em ambiente urbano. Mais animais num mesmo espaço torna os bons sitios de alimentação mais desejados logo existe mais disputa territorial dando vantagem às grandes matilhas.
Em Portugal essa pressão urbana é menor pois o nosso clima tb é mais ameno, sendo mais sensato fugir para os suburbios e campo do que lutar para manter controlo de um territorio urbano. No entanto como no campo é mais dificil adquirir alimento os bons locais de caça são cobiçados dando então vantagem á formação de matilhas não em ambiente urbano como na Russia mas fora, como já foi mencionado, em praias, campos de golfe, areas protegidas, etc
Isto são meras conjecturas minhas...
Cumps
Joana
Na Russia onde o clima é muito mais agreste as fontes de comida fora das cidades, durante o inverno, são muito mais escassas forçando a maioria dos animais a viver exclusivamente em ambiente urbano. Mais animais num mesmo espaço torna os bons sitios de alimentação mais desejados logo existe mais disputa territorial dando vantagem às grandes matilhas.
Em Portugal essa pressão urbana é menor pois o nosso clima tb é mais ameno, sendo mais sensato fugir para os suburbios e campo do que lutar para manter controlo de um territorio urbano. No entanto como no campo é mais dificil adquirir alimento os bons locais de caça são cobiçados dando então vantagem á formação de matilhas não em ambiente urbano como na Russia mas fora, como já foi mencionado, em praias, campos de golfe, areas protegidas, etc
Isto são meras conjecturas minhas...
Cumps
Joana