Os limites da “humanização”

Este é o fórum dedicado exclusivamente ao melhor amigo do homem! Troque ideias e tire dúvidas sobre o cão.

Moderador: mcerqueira

WaterMonitor
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terça jun 08, 2004 3:23 pm

[quote=isabelnobre]
[quote=nel]
- O que consideram mais grave na humanização?
[/quote]

Quando o cão não diferencia a sua posição da do dono. :roll:

Sei de muitos casos assim, dos piores são quando o cão requesita os carinhos só para sí e quando há outra manifestação de afecto com um dos donos, o cão pimba. Tive uma cliente que ficou com o lábio todo rasgado, uma outra que não podia ir á casa de banho porque era o sitio do cão desde bebé. Deve ser muito triste quando a relação com o cão deixa de existir, para passar a haver um de "deixa lá ver se o gajo agora não me ferra".
Por muito que gostem deles acho que é uma tortura e não é para isso que temos cão, acho eu.

Dos casos que me afecta a mim em particular é quando os cães nos tentam morder na tosquia e os donos lhe fazem festinhas e ameaçam um "tau-tau no rabinho" :o E acreditem alguns mais parecem uns "cãocrodilos" lindos da dona. :p
[/quote]


Não podia concordar mais. Tenho 5 cães, 4 deles treinados em obediência e acho que com os treinos aprendi tanto ou mais que eles.

Nenhum cão meu morde seja a quem for e portam-se como acho que deve ser.

Claro que a humanização, por mais que eu não queira, é inevitável: aqui há uns 4 anos a minha cadela Terranova cortou com profundidade uma almofadinha. Para percebermos o que se passava, demos a ordem de deitar e seguidamente a ordem de "morto". Ela assim fez e estava obviamente com bastantes dores.

Então não é que o macho Terranova, vendo toda aquela aflição (nós a tentarmos estancar o sangue e ela a ganir), decide deitar-se também em "morto" com uma patinha gravemente ferida (o fingido não tinha rigorosamente nada). :p

O meu macho treinado portou-se tal e qual uma criancinha mimada!
AndLemos
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terça jun 08, 2004 3:24 pm

Bem na minha opinião ter o cão no quintal não é problema nenhum, é um previlégio que nem muitos podem ter, eu tenho um quintal enorme, onde podem os meus cães podem estar e é a melhor coisa que lhes posso dar.

Á noite dormem em casa mas por comodidade minha, para passar mais algum tempo com eles e estarem familiarizados com o estar dentro de casa

Desde que as pessoas lhes prestem atenção em casa ou no quintal tudo bem.
nel
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terça jun 08, 2004 3:48 pm

A propósito do espaço exterior, pela minha experiência, acho que o cão não lhe dá tanta importância como seria suposto.
Eu costumo ir lá à aldeia, onde já não tenho casa própria mas fico na de um casal amigo (os tais amigos que têm o cão chato como a potassa :lol: ). A casa tem um amplo espaço exterior (pátio), que dá para outro ainda maior, de cultivo (que nem uma batata tem plantada, mas adiante :lol: ).
Quamdo lá chegamos eles dão logo uma correria pelos cantos todos, mas é sol de pouca dura. Se eu me mantiver dentro de casa, não me largam, parecem melgas. Raramente querem ir lá para fora. A não ser que seja mesmo para a rua.
Independentemente de o espaço exterior descrito ser grande ou pequeno, não deixa de ser território já explorado. O cão quer mais para cheirar, ver, descobrir.
Por isso, a reacção que eles têm quando pressentem que eu me dirijo ao portão de entrada das instalações, é exactamente a mesma que têm cá em casa quando pego nas trelas.

Por isso, o ter-se um terraço mais ou menos grande, um jardim ou um quintal, na minha opinião não é assim tão importante. Isto é, não estou a desvalorizar esses espaços, mas o cão preferirá sempre a companhia do dono num espaço pequeno do que a sua solidão num jardim ou num quintal.
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SarahKay
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terça jun 08, 2004 3:53 pm

nel Escreveu: Por isso, o ter-se um terraço mais ou menos grande, um jardim ou um quintal, na minha opinião não é assim tão importante. Isto é, não estou a desvalorizar esses espaços, mas o cão preferirá sempre a companhia do dono num espaço pequeno do que a sua solidão de um jardim ou de um quintal.
Não podia estar mais de acordo com esta frase!

É a situação que já foi aqui referida uma serie de vezes: Haja tempo para brincar com o cão e para o levar à rua para brincar que ele vive nem que seja num T0 ou num T menos 1 com o dono e é feliz da vida!
AndLemos
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terça jun 08, 2004 4:05 pm

Sim Nel e Sara concordo plenamente com o que disseram, mas tendo atenção nos dois casos é preferivel, para mim pelo menos, ter uma casa com espaço no exterior.
Quando saio de casa os meus cães ficam à solta, no quintal, mesmo quando chego a casa deixo-os ficar na rua, o Nel deve saber que nesta altura faz um calor em Viseu do caraças e dentro de casa está um pouco quente.
Ás vezes fico a observá-los da varanda, correm, bricam, lutam, ladram aos pobres dos pássaros, fazem buracos, divertem-se a ladrar a quem passa, a minha cadela inclusivamente gosta muito de ajudar a brigada de trânsito nas operações stop :D :D :D que fazem mesmo ao pé de minha casa.

Agora claro, entre espaço exterior e falta de atenção ou espaço interior e atenção, sempre a segunda.


Nel quando venho para o quintal bricar com eles, a Ruca também não me larga, senta-se sempre em cima dos pés a pedinchar festas :D :D
sonja
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terça jun 08, 2004 5:35 pm

olá a todos ,
os meus cães fazem parte da familia , andam por todo o lado e eu adoro-os , se bem que acho que eles estão demasiado dependentes de mim , talvez por ter sido eu a recolhe-los da rua ,estejam demasiado apegados a mim , e eu acho que isso não é bom , eles não comem enquanto eu não chego a casa e tenho que ter outros cuidados com eles que certas pessoas com cães não precisam de ter , senão lá vem as travessuras , sobretudo o serra d´aires , que em vez de Marlon se devia chamar castor , pois retraça tudo quando começa a ficar ansioso e nervoso !
deinhac
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terça jun 08, 2004 6:35 pm

OLás! Este tópico é muito interessante e penso modestamente que o meu testemunho será bastante diferente do dos outros membros e passo a explicar porquê:

Como já muitas vezes referi, sempre tive cães. E todos eles foram tratados, acariciados, castigados sob os mesmos valores e contextos. Logicamente que como cada qual tinha o seu temperamento, havia ajustes, ou seja, a minha cadela Ema sempre foi um doce, por isso se levou duas palmadas na vida foi muito; enquanto que o meu cao Baltazar desde bébé era um pestinha, e levou muitas palmadas, sobretudo no final do percurso, quando teve de levar autenticas porradas de meia noite porque mordia... o final foi o triste adormecimento do cao com uns míseros 2 anos de idade.

Isto é mais uma reflexao que faço agora e perante a pergunta do Nel "Se voltassem atraz fariam tudo da mesma maneira?"...

a minha resposta é SIM. as minhas cadelas sao super meigas e eu passo a vida a fazer-lhes festas, mesmo assim nao me largam, acham sempre que é pouco;

o meu cao Baltazar era acarinhado da mesma maneira e por vezes mostrava os dentes se lhe fazia uma festa... eu nao sei lidar com um animal que nao goste de festas, que seja tão selvagem no ponto de vista da natureza que esteja mais preocupado em determinar hierarquias e revelar dominancia constantemente. O modo como lidei com isso foi como a maioria das pessoas que gosta de animais, mas nao tem um curso de comportamento animal, lidaria: castigos, porradas, treinador, estranguladora, muitas lagrimas, muitas dentadas, gritos, desilusão.

"O que faria de diferente com este cao?"... penso, volto a pensar, nao paro de remoer a consciencia e a unica resposta que encontro é "NADA".
fica a mágoa das incertezas...

enfim... pelo menos olho para as minhas cadelas hoje em dia, vejo umas manteigas derretidas, uma delas com forte personalidade, nao fosse ela uma serra de aires, mas umas doçuras que apenas querem sentir a minha mão em cima delas e adormecer ao meu colo... coisa que nunca o meu cao fez na sua curta vida! :cry:
Ladybird
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terça jun 08, 2004 6:57 pm

Em relação a cães no exterior ou no interior, eu tenho uma opinião e uma experiência muito diferente daas vossas. Tenho 4 cães, um P.P. e 3 filas brasileiros. Enquanto os filas dão o ** e oito tostões para irem para dentro de casa, o P.P. odeia, abomina, quase se mata se for obrigado a estar em casa. De realçar ainda que, eu vivia em Lx e aí tinha o P.P. num apartamento, local onde permaneceu até ter cerca de 1 ano. Quando nos mudámos para esta casa, acabámos adquirindo os três filas, os quais sempre estiveram no canis. No entanto, e além dos canis, tenho metade do terreno vedado, onde eles ficam todos soltos durante o dia, regressando aos canis apenas à noite para a útlima refeição e para a soneca. Desculpem mas, apesar de adorar os meus cães, não os imagino aos quatro dentro de casa. Aliás, qualquer um dos filas tem mais de 40 kg. Agora também não admito que digam que eles estariam melhor dentro de casa. Acrescento ainda que, todos os dias à noite há um deles que vem para casa assistir ao nosso jantar e ver o telejornal ;) Mas repito, um deles. Também quando estou em casa tenho sempre um dos filas comigo. O P.P. é escusado pois ele prefere tirnta vezes andar a correr atrás dos pássaros, que nunca apanha, a estar dentro de casa.
Em relação ao papel dos animais em zonas do interior, e falando do meu caso que resido num lugar do concelho de Paredes de Coura, surpreendentemente as coisas vão evoluindo. Das pessoas que moram cerca de mim quase todas elas têm cães. À excepção da correntes a que alguns estão sujeitos, todos eles são soltos à noite, estão devidamente vacinados, e com as licenças em dia, sendo quase todos eles alimentados única e exclusivamente com ração. No entanto, nehum deles entra em casa. Penso que as mentalidades por aqui têm vindo a evoluir positivamente. Aliás, faz-me muita confusão quando tentam afirmar que a situação do animal doméstico é pior no interior do que nas grandes cidades. Apenas vos posso transmitir que por aqui não existem tantos animais abandonados. Os cães / gatos que por aqui vão aparecendo, quase nenhuns por sinal, vão sendo "adoptados", e seja pela fome, ou seja pelo apego, acabam a dormir à porta de alguém. Acho que as pessoas aqui têm uma maior afinidade com os animais, talvez pelo facto da subsistência de algumas delas estar depenedente dos mesmos. Agora que não os encaram como membros da família, lá isso não. Mas também, por vezes isso não será humanizá-los, retirando-lhes alguma da sua essência?! ;)
isabelpo
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terça jun 08, 2004 7:22 pm

nel Escreveu: Só umas perguntitas para o tópico não se ficar pelo texto de apresentação:
- Concretamente, o que entendem por humanização do cão?
- Dão mimos ao cão gratuitamente? Isto é, dão quando vos apetece (porque sim) ou apenas com um objectivo pedagógico, como recompensa?
- Se pudessem voltar atrás, educariam o vosso cão de forma diferente?
- O que consideram mais grave na humanização?
Olá!

Na minha opinião, a humanização do cão consiste em adapta-los à nossa vida. Há sempre a tendência de tratar o cão como um bebé ou uma criança quando é pequeno. E a partir daí é um desenrolar de ensinamentos e interiorizações no cão do que deve/pode ou não fazer. Tentamos educa-los de maneira a prever todas as suas atitudes perante as diferentes situações. Resumindo, fazemos do cão um membro da família e tratamo-lo como tal.

A Meggy é feita de mimos da pontinha do nariz à pontinha da cauda. Dou-lhe mimos porque sim e pronto. Sempre que me apetece e sempre que ela pede, ou seja, todos os minutos do dia em que estamos juntas. Há um pequeno grande problema. Como já foi referido, a Meggy é muito dependente da dona...para tudo! Não come e desconfio que nem bebe enquanto eu não chego! É a minha sombra! Para onde vou ela vai airosa, sempre muito contente e olhando sempre para trás para ver se está a ir para o sítio certo. Uma verdadeira melga, como costumo dizer-lhe!

Se calhar, voltando atrás, modificaria qualquer coisa! Tentava que ela não fosse tão dependente, mas não sei se ia conseguir! Há coisas que a Meggy não faz, simplesmente não aprende. Já questionei o vet sobre muitas coisas que ela devia ter aprendido e não aprendeu! Perguntei-lhe se eu não a soube educar. Ele diz-me que a minha cadelita é muito "limitada"! A cegueira dela pela dona é mais forte e nem tenta agradar aprendendo seja o que for. Simplesmente se cola a mim e olha-me com aqueles olhinhos redondos e muito meigos, quando digo alguma coisa sai uma dose de lambidelas! Ora, também estou para aqui a passar um atestado de burrice à Meggy, não é essa a ideia. Ela senta quando mando, vem quando chamo, fica onde a mandar ficar e sabe o que pode ou não fazer. Mas isto tudo dentro de casa. Quando saio com ela tem de estar presa porque é amante da liberdade e a vontade de explorar é muito grande...ficando surda!!! :oops: Aqui penso que falhei muito, mas uma vez que está sempre com trela nunca tive problemas!

Desculpem lá o testamento!!! ;)
ladyxzeus
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terça jun 08, 2004 8:43 pm

Olá.
Eu tento não humanizar os meus cães. São pessoas-cão e não pessoas-homem, tendo assim o seu lugar no mundo.
Cão meu dorme e come na rua, anda pelo terreno todo o tempo que quiser, caçando o que quiser e dormindo onde quiser. Para eles, entrar em casa, é um sacrifício, só entram porque o dono os empurra. São, simplesmente, cães.
nel Escreveu: Só umas perguntitas para o tópico não se ficar pelo texto de apresentação:
- Concretamente, o que entendem por humanização do cão?
- Dão mimos ao cão gratuitamente? Isto é, dão quando vos apetece (porque sim) ou apenas com um objectivo pedagógico, como recompensa?
- Se pudessem voltar atrás, educariam o vosso cão de forma diferente?
- O que consideram mais grave na humanização?

Eu penso que se huamaniza o cão quando o personificamos. Exemplo: se nós humanos nos fartamos de comer sempre o emsmo, o cão também se farta. Este comportamento de personificação não vem de um grupo restrito de pessoas. Acaba por vir de todos nós, porque... porque sim. Felizmente, uma grande parte das pessoas controla-se e fica só pelos debates filosóficos com os cães (que eles não entende,m, ams que seguem com atenção desmesurada).
Os meus mimos são sempre forma de recompensa. Afinal, quando quero fazer festas aos cães, tenho de os chamar e eles têm de atender ao chamamento. Ou mandá-los sentar. Ou mandá-los deitar... O objectivo é fazer-lhes festas porque quero, ams acaba por se tornar num método pedagógico muito pouco trabalhoso.
Se pudesse, voltava a ensinar os meus cães, com mais tempo e mais técnica. Eles obedecem-me, mas não fazem grandes habilidades (sabem o vem, senta, deita, quieto e cala-te) Mas não mudaria os seus hábitos. Eles são livres de andar por toda a propriedade (que não é um quintal. É uma mini-fazenda) e de entrar em casa quando os donos estão. Mas nunca são autorizados a dormir dentro de casa nem a pular para cima de camas e sofás. Faço isto com estes cães e farei isto com todos os que tiver.
O mais grave da humanização éq uando o cão perde a noção do seu lugar na matilha, tentando sobrepor-se ao dono. Felizmente, orgulho-me de nunca nenhum cão meu ter tentado tornar-se o líder da "matilha humana". Mas, se algum cão me mordesse à conta disso, seria a última vez.

A humanização é um rpoblema muito grave numa sociedade citadina, onde o cão é como um escape para o amor em excesso. Cada vez vemos mais, cãezinhos demasiado mimados, que se julgam "gente grande" e que acabam por se tornar em feras bestiais ou em brinquedos a pilhas insuportáveis. O processo de humanização encontra-se em toda a parte: desde a maneira de acarinhar o cão, à comida que lhes damos e aos "acessórios" que lhes oferecemos (serão realmente necessários aqueles ganchinhos para o "cabelo" da loja de animais?) Aliás, vou só citar um pequeno livro que tenho, na parte que grassa acerca da alimentação do cão de luxo:
Os cães de luxo são vítimas, com grande frequência, da amizade mal compreendida dos donos - principalmente das donas - que, por muito lhes quererem e na melhor intençãom de lho provarem, acabam por submetê-los a verdadeiras torturas fisiológicas.


Lembremo-nos: um cão é um cão. Se o amamos, devemos respeitá-lo e tratá-lo como tal.
aligra
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quarta jun 09, 2004 9:59 am

nel Escreveu: - Concretamente, o que entendem por humanização do cão?
- Dão mimos ao cão gratuitamente? Isto é, dão quando vos apetece (porque sim) ou apenas com um objectivo pedagógico, como recompensa?
- Se pudessem voltar atrás, educariam o vosso cão de forma diferente?
- O que consideram mais grave na humanização?
Ai, Nel, eu sou do género de pessoas viciadas no "voltar atrás" e pensar "o qué teria passado se eu tivesse feito tudo diferente"?
:oops:
Não sei se se lembra que eu cheguei ao forum a procura de soluções porque sentia que não conseguia lidar com o meu cachorro, que já aos 3/4 meses queria mandar na casa.
Acho que se mudasse qualquer coisa, seria a rapidez para dar uma resposta firme a esse mau comportamento, mas pronto, naltura eu não sabia o que fazer, o meu cão anterior era muito submisso e eu não fazia ideia destas questões de liderança nem nada disso.

Ora bem, como as coisas cá em casa há muito tempo que andam direitinhas, sinto-me à vontade para dar mimos ao meu malandreca quando me apetecer (e apetece-me sempre) e quando ele pedir. As recompensas por ele obedecer uma ordem são às vezes um biscoitinho, às vezes só umas palmadas no lombo e um "muito bem!", completamente diferentes, acho eu, dos mimos que lhe dou só porque gosto dele.

Eu acho que a humanização do cão responde à vontade dos donos, que vêm preencher um vazio dos donos, não sei se me faço entender.
Tenho uma minha vizinha que o seu cãozinho é "tão ciumento" que ela não pode nem sequer dar um beijo ao marido porque o cão fica doido a ladrar e até tenta morder. Bom, eu não posso tirar da minha cabeza a ideia de que a senhora arranjou a desculpa perfeita para não beijar ao marido.
A sogra dum primo da ao cão uma fatia de pão tostado com marmelada no pequeno almoço, porque "o coitado fica a olhar e baba-se tudo". Pronto, mas o cão baba-se porque sabe que lá vem o pão com marmelada, se a primeira vez que ficou a olhar tivesse sido afastado da mesa com certeza que não andava alí a pedinchar comida. Agora é que o cão não quer comer a sua comida, e lá anda a dona a misturar a ração com tudo género de coisas para ver se ele gosta, se ele não gosta vai tudo ao lixo e tentam outra coisa, ora com peixinho, ora com franguinho, ora com sopa, até com puré! O gajo é viciado em marmelada.
Eu acho que este género de dono até gosta de ter esses problemas, essa trabalheira com o cão, até orgulham-se do cão ser malcriado, como se isso fosse uma proba do cão ser inteligente, acho que isto é o mais grave da humanização: a tolice dos donos que pode tornar um cão infeliz e prejudicar a sua saúde.
Eu adoro o meu Dylan, mas ele come só a sua comida, se recebe um petisco é sempre fora da mesa, não pode deitar-se na minha cama nem subir ao sofá, e ele já nem tenta, já sabe que não vai conseguir, se eu disse "não", é mesmo "não" e não há hipótese. Se calhar não são muitas regras, mas faço questão de ele as obedecer, acho bom para ele mas tambem para mim que gosto de viver tranquila ;)

Alicia
isabelpo
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quarta jun 09, 2004 1:18 pm

Alicia, lembro-me bem dos problemas que teve com o seu cão e felicito-a pela coragem e determinação que teve para o corrigir. Não optou pela velha solução de "despachar" o canito! Por isso, os meus parabéns! Não podia concordar mais com o que escreveu!
aligra
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quarta jun 09, 2004 1:37 pm

isabelpo Escreveu: Alicia, lembro-me bem dos problemas que teve com o seu cão e felicito-a pela coragem e determinação que teve para o corrigir. Não optou pela velha solução de "despachar" o canito! Por isso, os meus parabéns! Não podia concordar mais com o que escreveu!
Obrigado, Isabel :oops: :oops: :oops:
Na verdade, naquela altura eu tinha mais vontade de estrangular ao malandro que de despachá-lo 8)

Alicia
isabelpo
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quarta jun 09, 2004 8:37 pm

aligra Escreveu: Obrigado, Isabel :oops: :oops: :oops:
Na verdade, naquela altura eu tinha mais vontade de estrangular ao malandro que de despachá-lo 8)

Alicia
:lol: :lol: :lol: :lol: :lol: :lol:
FBC
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sexta jun 11, 2004 3:14 am

Este tema da humanização dos cães é um assunto que me preocupa bastante


Tenho vindo a reparar que muitas pessoas tratam os cães como se fossem gente: ( é o meu menino, é mais uma pessoa da familia, dormem com eles na cama, etc). Este tipo de situações são extremamente negativas para as pessoas ( porque para além da falta de higiene manifesta uma errada orientação dos afectos) e para os cães ( que é o que mais me preocupa).


No percurso evolutivo do cachorro e coincidindo com o aparecimento dos dentes, que torna a amamentação dolorosa para a mãe, inicia-se um processo essencial para o desenvolvimento do cachorro: a desvinculação.
Neste processo à um afastamento entre a mãe e a cria durante o qual a mãe se torna pouco tolerante com o filho e, entre outras coisas deixa de dormir com este. A falta de tolerância da mãe em relação ao cachorro estende-se aos outros membros da família, principalmente ao macho Alfa. Mais tarde à uma reaproximação ao grupo (inicio da proberdade).
Este processo de desvinculação, embora pareça algo cruel do ponto de vista humano, é indispensável para a sua maturidade do cachorro. O mesmo se passa com o lobo.

Na recente relação do homem com os cães e na descida destes à categoria de mascotes (principalmente nas desetruturadas sociedades urbanas) o cão deixou de ser um animal, e como tal respeitado na sua natureza, para passar a ser, doentiamente, um brinquedo, um bébé ou uma pessoa. Estes comportamentos desajustados por parte dos donos leva a que entre outras coisas, não haja a desvinculação referida atrás. Desta forma os cães são eternamente infantis e consideram o dono como mãe e não como líder da matilha.
A este respeito quero referir a gritante diferença de maturidade que há entre um cão destes e um cão de quinta ou vadio. É impressionante!!

Sei que muitos “defensores” dos animais pensam que estas coisas são de menor importância e o que importa é não abandonar os animais, dar-lhes ração boa, etc...mas um cão que não tem um crescimento (incluindo o psicológico) de acordo (minimamente) com as características da espécie vai ser um cão desequilibrado psicologicamente. Além do crescimento, o cão deve ter uma vivência de acordo com as normas da espécie, isto é, o dono deve desempenhar o papel de líder e nunca de mãe, o que não acontece na maior parte das mascotes.
A tudo isto não é alheio o crescente numero de cães desequilibrados e a história dos ataques sem razão aparente.

Alem deste aspecto, do tratamento, há ainda o facto de cada vez mais os criadores seleccionarem os animais no sentido da "mascote" , isto é, mais humanizados e infantilizados para dar resposta a pessoas que cada vez menos querem animais e cada vez mais querem "artificios", qual descarga dos nossos afectos.

Penso que o grande atentado aos direitos dos animais no futuro é precisamente a excessiva humanização dos “pets”. Para salvaguardar este fenómeno todas as pessoas que adquirem um animal de companhia deveriam antes ser obrigadas a fazer formação sobre o mesmo. Por exemplo, no caso dos cães é indispensável conhecer a vida dos cães na natureza ( ou lobos) para compreender a psique do cão.



Cumprimentos
Francisco Bica
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