Um dos maiores motivos que o meu marido e eu tivemos para emigrar foi a violência nas ruas, que tinha aumentado imenso nos últimos anos que lá passamos, até o ponto em que eu não deixava às minhas filhas ir sozinhas nem a escola, que ficava a um quarteirão de casa. Os assaltos com violência, furtos e "sequestros express" eram do dia a dia.
Não julgo que o problema seja do meu país, nem do "terceiro mundo", mas de sociedades onde a falta de trabalho e de oportunidades e a degradação da qualidade de vida tem vindo a aumentar, empurrando sectores cada vez maiores dessa sociedade para a marginalidade. Acontece no "terceiro mundo", mas tambem em locales dos States e de qualquer cidade de grandes dimensões, julgo eu. Neste sentido, e despois de ter vivido coisas que prefiro nem lembrar, é que digo que este cantinho a beira-mar é o Paraíso. Nem tudos os que cá nasceram sabem dar o verdadeiro valor a este lindíssimo país.
Ora o que aconteceu na Expo não tem a ver com a marginalidade, mas com uma característica que eu penso tambem não ser exclusiva do meu país, mas que lá está muitíssimo acentuada: o uso da violência para impor uma ideia sobre outras ou para impedir qualquer coisa que não está a decorrer ao meu gosto, seja isso uma assembleia política, um jogo de futebol ou, neste caso, um julgamento numa Expo.
Quem o fez nem se lembrou das consequencias do assunto, esta-se a borrifar para a imagem da Argentina no mundo e para o estigma de agressividade que pessa sobre a nossa única raça nacional, só queria impedir esse resultado do julgamento, tem acesso (evidentemente) a material policial, e vinha já preparado perante o que (evidentemente tambem) sabia que podia acontecer.
Infelizmente julgo que no meu país a intolerância, o desprezo da via democrática para resolver qualquer questão e o abuso da força, são muito generalizados. Doi-me dizer isto, mas muito sinceramente penso que é assim, e que muitos dos nossos problemas como nação vêm do facto de não saber aceitar uma regra, de pensar que a lei é só para os tolos, de "patear el tablero" quando estamos a perder o jogo.
Envergonha-me muito a situação e gostava que não tivesse acontecido, mas infelizmente não me espanta.
Ainda bem que não houve feridos graves e que os nossos (os portugueses) estam bem.
Fica cá um link para quem quiser ver a noticia num jornal argentino:
http://www.clarin.com/diario/2005/07/11 ... -04201.htm