Haverá alguém que não tenha já arriscado qualificar o dr. X ou cruxificar o dr. Y?
Desde já, devo dizer que não sou veterinário nem estou ligado a qualquer familiar ou amigo que o seja. Mas assisto sistematicamente a estas apreciações, sempre empíricas e levianas, de pessoas que, antes de difamar ou eleger, deviam olhar por si abaixo e fazer primeiro uma tentativa de se avaliarem a si próprias, quanto mais não seja, sob o ponto de vista profissional.
Em Portugal isto é típico. Noutros países e noutras culturas não sei. Mas em Portugal toda a gente sabe de tudo e manda bocas nas áreas mais diversas: na Medicina, no Direito, na Arquitectura, etc. e, claro, em relação aos respectivos técnicos.
Muitos técnicos adquirem a fama, boa ou má, através destes ditos que se vão espalhando de boca em boca. Só ao fim de muito tempo é que alguns adquirem um estatuto mais ou menos estável em função de resultados visíveis. Mas é como trabalhar numa corda bamba. Ao mínimo deslize e lá vêm as más-línguas a cruxificar o infeliz, que para se levantar às vezes é o cabo dos trabalhos.
Os médicos talvez sejam os mais atreitos a estes imponderáveis porque é a vida das pessoas que está em jogo. Não pode haver falhas. Ninguém lhes perdoa.
Os veterinários também são muito vulneráveis.
Eu já visito o meu veterinário há sete anos, que é a idade dos meus lingrinhas. Durante todo este tempo, em certos momentos, terei tido algumas dúvidas ou mesmo alguma razão de queixa em relação a um ou outro pormenor que, provavelmente, nem para exemplificar valerá a pena descrever aqui. É muito natural que outras pessoas, no meu lugar, tivessem avolumado o problema e até deixado de o consultar. Eu não o fiz, muito longe disso, e continuo a depositar nele a confiança que JULGO que me merece.
Confiança absoluta? Claro que não.
Mas a suficiente: nem para não o difamar nem para o eleger como o melhor da terra dele.
