Não vou falar aqui dos problemas nefastos dos cães vadios ou assilvestrados que ocorrem nos campos nalgumas zonas do país.
Vou apenas referir-me aos animais silvestres que os nossos cães capturam aquando dos seus passeios pelo campo.
Daquilo que me tenho apercebido e me tem sido relatado, para alem da captura de espécies cinegéticas (coelhos, pe) e espécies não protegidas (ratos, pe), tambem é frequente os nossos amigos capturarem espécies protegidas.
Enquanto os anfíbios, devido á sua secreção “urticante” ou “intragável” são poucas vezes vitimas dos cães, as outras classes ( répteis, aves e mamíferos) têm várias espécies que são capturadas frequentemente.
Daquilo que tenho apurado, segue-se uma pequena listagem de espécies protegidas mais frequentemente capturadas cujos exemplares são mortos devido ao instinto predador dos nossos cães:
Repteis:
Sardão (Lacerta lepida)
Lagartixas (Psammodromus algirus, Psammodromus hispanicus, Acantodactylus erytrurus, Podarcis hispanica)
Cobras (Coluber hipocreppis, Malpolon monspessulamus, Elaphe scalais, Natrix maura, Natrix natrix)
Aves:
Para alem dos vulgares Pardais – cujo interesse de conservação é pouco ou nada significativo, uma vasta lista de passeriformes (crias ou juvenis) tem sido relatada, para alem de predação de ninhos. Toutinegras, Chapins, Pintassilgos, Etc. etc.
Também Rolas-turcas Andorinhões e Poupas me foram relatados.
Mamíferos:
Lirão (Eliomys quercinus)
Doninha (Mustela nivalis)
Toirão ( Mustela putorius)
Musaranhos (Crossidura sp., Sorex sp.)
Toupeira (Talpa occidentalis)
Ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus)
Geneto (Genetta genetta)
A captura de animais jovens (mesmo no caso de muitos répteis) parece ser muito mais comum, bem como as espécies predadas variam um pouco em relação á raça ou tamanho do cão.
Por esta razão, nalgumas zonas (reservas integrais, etc.) de várias Áreas Protegidas é interdita a circulação de cães.
No entanto, o território nacional não é todo área protegida, nem as espécies protegidas ocorrem apenas nessas parcelas de território.
A meu ver, só existe uma solução para minimizar esta incompatibilidade (pets versus conservação da natureza): Ser dono responsável.
- Educar o cão a não perseguir animais (muita gente acha graça e estimula este instinto).
- Ter controlo e supervisão no cão durante os passeios no campo.
- Ter o cão minimamente obediente para que possa ser controlado assim que detecte um animal silvestre e não o persiga até á morte.
- Ter civismo e não fomentar a predação de animais silvestres apenas para mostrar as habilidades do cão ou porque tem piada.
É que acidentes acontecem, mas se toda a gente fosse mais consciente talvez não houvesse tantas restrições á circulação de cães em Portugal e nos outros paises.
Já agora, confessem lá que animais é que os vossos canitos já capturaram?
Os meus já “limparam o sebo” (desculpem a expressão) a 3 gatos e um sem numero de ratos. Quanto aos ratos, quantos mais melhor, no caso dos gatos, confesso que houve negligencia.
Em relação a espécies protegidas, já foram "á vida" algumas lagartixas descritas em cima sem que eu conseguisse evitar. Mas lá que tentaram a façanha com outros animais, tentaram.
Toda a atenção é pouca. Por vezes parece que nos cegam.